Que venha o trem bala!
Vontade de nada escrever eu tenho, depois de assistir a tantos fatos e notícias anunciadas do que poderia não acontecer. Estávamos felizes, comemorando as primeiras medalhas de ouro no Pan e vem o baque! Outro acidente de grandes proporções comove a nação! Meu Deus, quanta tristeza, quanta fatalidade. E o povo adora tragédias, estórias tristes, crimes e divórcios; não apenas vendem jornais como juntam multidões em frente aos televisores e rádios. Lembram os aviões se estrelando contra as torres gêmeas, que já nem existem? A confiança neste governo, eleito por uma maioria que não viaja de avião, também se emociona. Corrijo, viaja raramente, um soldado bombeiro, uma enfermeira, um porteiro que regressa á terra natal, nordestina, nortista, aos cerrados em alguma lata de sardinha ocasional, sim, porque de uns tempos pra cá, com a canibalização das rotas da Varig, muito passou a ser permitido. Tanto falaram do governo anterior e agora amargam um terrível apagão aéreo, onde centenas de vidas já se apagaram.... Pois é, longe de defender um pós-doutor e poliglota em privatizações, ou um sem diploma e ex-operário que tenta resumir a vida a frases de efeito. Eles tentam resolver, cada qual a sua maneira, mas ainda não conseguiram, porque nesta terra brasilis ou terra de Vera Cruz, ou seja, algum lugar que ainda não foi, porque ainda será, entenderiam os 198 milhões se ao menos soubessem ler? Aqui ainda não se pensa muito, ou melhor, se pensa e não se faz, pior ainda, se pensa lá fora, em universidades estrangeiras e vêm pra cá, serelepes e faceiros, uma juventude orientada e egoísta, que pouco se importa em soluções de nossa realidade, talvez priorizem o mercado e as linhas aéreas e de escoamento de nossas exportações... O melhor café, os melhores grãos, pescados, sapatos, frutas, lagostas, a melhor carne e produtos industrializados vão para o exterior! Somos o apêndice de um mercado globalizado e ponto. Devemos os tubos e negamos a nós mesmos o mínimo, chamado respeito. Sei lá, sou apenas um tranqüilo advogado que liga o computador e vê um deputado estadual eleito há menos de vinte anos, e hoje declara patrimônio superior a cinco milhões de reais (sem as fazendas, claro), e fica por aí. São tantos Renans e quilombolas fugidos e caçados, obrigados a votar. Ele é legal, educado, os governantes são legais, esperam sempre acontecer algo para tomarem as medidas. Políticos não são julgados, as leis processuais são anacrônicas e geram a impunidade e assim vamos vivendo. Como seria bom que este mundo fosse um Thiago Pereira! Limpo, alegre, vencedor! Não é. Adoraremos esse nosso novo ídolo de piercing hehe Não sei o que leva alguém a colocar um alfinete no corpo, mas a discussão não é essa, até que gostaria de alfinetar muitos vodus em Brasília! A começar por aquela besta fera petista de óclinhos e parasita partidário, que fez gestos obscenos dentro do palácio! Morra infeliz! Você e seus companheiros sem concurso e aumentados em até 140%! Quando aposentados e controladores de vôo, servidores efetivos em geral, são taxados e ganham míseros 0,1% de aumento. Soluções? Devem ser muitas e principalmente de gestão. Certa vez estava em Fort Launderdalena Flórida e vi aviões parados sobre viadutos na rodovia. Um detalhe americano idiota que me intrigou. E aquele posto de gasolina, o que fazia ali? Em frente ao término de uma pista e não explodiu... Fico pensando: se ampliassem Congonhas apenas um pouco... E nos demais usassem aquele concreto que afunda, ao final das pistas. Se desmilitarizassem o setor e aumentassem logo o salário dessa gente que trabalha bastante e sob tensão! A sociedade dormiria mais tranqüila. Em vez de construir outro aeroporto, por que não investem em Ferrovias? Que venha o trem bala! Rio-SP, ou trens SP-Curitiba, Florianópolis-Porto Alegre. Já imaginaram as cidades nordestinas interligadas em conexões? Em duas horas e trinta ou pouco menos ou mais, milhares de passageiros estariam no centro das capitais (muito mais econômico que pegar táxi, voar e ainda esperar pelo desembarque em congestionados terminais) parte do dinheiro viria de parcerias público- privadas, as modernas PPPs, e deixem operar nos trilhos não apenas o veloz trem, outros trens noturnos de carga e passageiros. Seria opção muito menos poluente e mais segura: recuperar e integrar as ferrovias desse país! Me perdoem, coitado do exmo. presidente, neste episódio ele não pôde fazer nada! Nem aquele velho ministro da defesa, que só gritou para reclamar aumento de seu próprio sustento (sendo político há mais de três décadas), reprovável comportamento! Em qualquer país cômico, medalhas seriam canceladas imediatamente e ministros demitidos! Mas o que reclamar? Temos apenas um fantoche à frente da República.
Bom, vou encerrar esta crônica, antes que me estresse mais. Às famílias das vítimas, deste vôo que não freiou, do outro que foi derrubado nos céus da Amazônia, do que caiu há onze anos numa manhã cinzenta, do que bateu numa rocha em Fortaleza; de uma cinza que se apagou em Paris, de algum metal que se perdeu na Costa do Marfim, de tantas outras peças que o destino prega e nunca saberemos quando, o pesar de quem escreve. Não conhecia ninguém, mas em algum momento chorei e extravaso aqui.
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*Dr Guto viajou no trem-de-prata a última vez em 98 e pegou conexão da Fepasa até Bauru.... Linhas desativadas
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