Ratos de Camburão
Discutir assunto de tal complexidade deve nos remeter, a princípio, à própria formação do queijo brasileiro. Desde os tempos coloniais, desmandos da burocracia portuguesa nos enchiam de exemplos de corrupção e favorecimentos que fugiam ao controle da metrópole, também corrupta. Passamos por Império e Res públicas com discursos políticos ocasionais de moralização das ratoeiras, o que ainda não conseguimos resolver, mesmo vivendo há quinze anos, sob um Estado Democrático de Direito, em plena vigência da Constituição de 88 e Liberdades de Imprensa. Na verdade, continuam confundindo o Governo como continuação de suas casas...
Os crimes mais graves contra o patrimônio ou popularmente conhecidos como “colarinho branco”, sempre envolvem uma relação promíscua entre algum órgão ou setor privado e um ente público, seja nas Administrações Direta ou Indireta da União, Estados e Municípios. São de gravidade muito superior à simples roubos e furtos de “galinhas”, pois nesses casos, lesam-se com operações suspeitas e ilegais, milhões de reais do patrimônio público, consumados por pessoas físicas – administradores ou autoridades que se irmanam em atos criminosos. Assistimos pelos jornais às notícias de desvios através de contas CC5 (transferência de valores ao exterior, via meios eletrônicos), obras superfaturadas, balanços contábeis “maqueados”, sucessivos termos aditivos em contratos, que a maioria sequer imagina o tamanho dos prejuízos ao erário. Os políticos silenciam muitas vezes e, infelizmente, nossas leis ainda são por demais brandas na aplicação de penalidades. Fora estes, ainda somam-se os crimes entre empresas e consumidores, de âmbito nitidamente particular. O caso do desabamento do Palace 2 ilustra muito bem tais situações: há seis anos aguardando a morosidade e ineficiência da Justiça, um réu chamado Sergio Naya, que detém patrimônio superior a dois bilhões de reais, nega-se a indenizar pouco mais de setenta milhões às muitas famílias de vítimas: prefere entrar como um rato dentro de um Camburão e fazer piadas que “a Justiça esta no canhoto do cheque...” Deplorável! Vi este meliante hoje no Fórum, que asco! Porém, o mais grave é a impunidade e a morosidade da máquina Judiciária, tímida e acovardada diante do Poder Econômico. O Mr. Maluf tem em Ilhas e paraísos fiscais, comprovados em documentos suíços, centenas de milhões de dólares; os fiscais do Propinoduto são outro exemplo; os desvios da gangue do líder estudantil no Pará e Amazônia; operações Anacondas envolvendo bancos, escândalos anteriores na LBA, Waldomiros etc. Por que só prenderam a secretária do PC?
Exemplos de pizzas não faltariam: FALTAM são leis enérgicas, EMPENHO E CORAGEM POR PARTE DO MP e JUDICIÁRIO! Pois agora, alta tecnologia também está a nosso serviço: que quebrem os sigilos fiscais e telefônicos. Vivam os Lafredos Lisboa (1) deste Mundo! A Imprensa Livre já faz seu papel. Queremos mudanças e punição dos culpados, sejam quem forem. Esperar consciência cristã por parte de fungos, é pedir demais! São os responsáveis pela pobreza de nossa Nação. Se fosse Lalu, durante um depoimento desses ratos de camburão, sacaria da toga uma pistola magnum 357, com silenciador, e após um café extraforte, ofereceria a sentença no coco deles! Recurso desprovido... Depois iria ao Instituto Moreira Sales, assistir Adeus Lênin. Eu ainda sou pacifista e legalista.)
1. Juiz federal linha dura e progressista
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*Dr Guto é advogado
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