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conradrose@hotmail.com

» RIO DE JANEIRO, 7 DE NOVEMBRO DE 2007

A ALTA COSTURA E O VAMPETA

Quando criança, eu morava em cima de uma alfaiataria. Costumava acompanhar meu avô se ele necessitava e solicitava um terno. Agradava-me perceber o desenhar do giz e eu sempre apostava - então torcia! - no erro. Nunca deu. Meu avô sempre ganhava pelo acerto. Com a mesma serenidade que espantava na porrinha os malandros que porventura o abordavam.

Destes, alguns já o conheciam e faziam daquilo um desafio de esperteza. Assim, aprendi com meu querido ente que, numa disputa, esperto é aquele que prefere ser desafiado a executar a ação. Melhor ser encorajado que encorajar.

Mas isso tem vários aspectos. Enquanto meu avô descansa e suas pequenas enormes lições ainda me ensinam sobre a vida, vou falar de um caso muito mais pitoresco desta relação com a coragem. Dunga!

O substantivo sempre lhe foi símbolo. O destemido absorveu, digeriu e evacuou a culpa da brincadeira que o Lazaroni aprontou. Reergueu-se e foi essencial na conquista do Tetra em 94 - tanto em campo quanto na vigília a Romário. E ainda fez o que pôde em 98.

Na etapa da vida que poderia apenas pescar, totalmente resolvido financeiramente, Dunga assumiu a Seleção Brasileira desmantelada e fincou ali seu futebol burocrático, tratando Afonso de Ronaldinho e Doni de Kaká. Tudo japonês!? Pior(!), um cadinho de sorte e ele emplaca 2010. Aí periga ganharmos nos pênaltis. Que tal?

Além: a filha cismou que dava pra desenhar moda. Dunga encorajou e alinhavou, óbvio. Deu no que deu. O voraz capitão do Tetra, guerreiro nato, exemplo de raça e devoção, ultrapassou todos os limites dos heróis do nosso tempo e equiparou-se a Ulisses.

Por tamanha bravura, aguardaremos ansiosamente o modelito Maracanã. E se fosse pra apostar, com o respaldo do meu avô, eu cravaria no decote canoa.

Só sei que sinto imensa saudade do riscar do giz d´outrora. Naquele tempo, ainda era pré-requisito uma postura mais non-sense que valente, num recorte malandro, pra jogar na passarela da bola com a coleção canarinho. E era permitido driblar à vontade.

Bom, por fim, o Vampeta. Nada demais. Ele não rolou na rampa nem posou nu. É só pra perguntar. Ele parou?

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*Conrad Rose, escritor brasileiro, 36, canhoto, Flamengo e marrento...
orecurseiro.blogspot.com

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