KUNG FU PANDA
Fotos: DreamWorks Pictures
A DreamWorks acertou na mosca na hora de escolher o adversário do verão animado da Disney/Pixar, pois Kung Fu Panda é o extremo oposto de Wall-E. Aventura descompromissada e repleta da leveza que sempre permeou as investidas do estúdio na área animada, o filme é o grande triunfo da empresa desde que inaugurou a divisão (bizarro: não é sintomático que ambas lancem seus melhores produtos não só no mesmo ano como na mesma época?). É incrível que trabalhos tão bem acabados e de origens tão distintas cheguem no mesmo período, e não precisemos escolher: basta ir ver ambos. Acreditem, porque parece que 2008 está começando agora, e tudo está partindo pelas animações.
O filme começa de maneira brilhante, com a ‘apresentação da lenda do Dragão Guerreiro’, aquele que irá salvar o Vale da Paz de uma grande tragédia anunciada há gerações. Quando 5 aspirantes ao posto são colocados a prova, um sexto elemento aparece no meio da competição: Po, um urso panda que trabalha com o pai vendendo macarrão e cujo sonho é se tornar um exímio lutador de kung fu. Enquanto os 5 aprendizes de Mestre Shifu se preparam para se apresentar em busca do sonhado título, Po consegue se infiltrar no concurso e acaba ganhando inexplicavelmente o título. Agora com a ajuda dos mestres Tigresa, Macaco, Louva-Deus, Víbora e Garça, Po vai tentar aprender as artes milenares de defesa no curto tempo que tem com Mestre Shifu. Isso tudo se Tai Lung não conseguir alcança-lo antes, pois em sua sede de vingança ao fugir da cadeia o temível tigre das neves só pensa em se vingar de Shifu e de todos no Vale da Paz por sua condição de renegado. Caberá a Po defender seu povo e seu novo santuário da fúria do vilão.
Como disse anteriormente, a fantástica abertura nos promete algo arrebatador do início ao fim. Mas logo percebemos que a magia da DreamWorks é outra: a ela cabe entreter, quase que somente. E é apostando na despretensão que o filme nos ganha, cena a cena. Especialmente memoráveis, todas as cenas de luta oferecem muito mais ação e adrenalina que todos os filmes do gênero de produção recente. Como bem lembrou o colega Roberto Sadovski, o filme parece traçar paralelos com um clássico de Jackie Chan, O Mestre Invencível, onde ele faz o papel de um bêbado involuntariamente campeão na pancadaria. E mais ou menos ‘sem querer’ é que Po vai evoluindo como lutador (e a cena da disputa entre ele e Shifu por um prato de bolinhos é sensacional), até chegar ao ápice.

A frenética montagem do filme lhe dá essa característica agitada que vai agradar a todos os públicos, e a simplicidade do seu traço na verdade esconde uma riqueza de detalhes admirável. A trilha sonora de Hans Zimmer é igualmente muita boa, e toda a parte sonora do filme é exemplar. Além de tudo isso tecnicamente, o filme ainda trás uma bela mensagem embutida sobre aceitar o que somos e lutar pelos nossos sonhos, nunca deixando de acreditar no nosso próprio potencial.
E como escrever sobre Kung Fu Panda sem mencionar o estelar time de dubladores? Jack Black é sensacional como Po, assim como Ian McShane arrebenta como Tang Lui. Angelina Jolie, Seth Rogen e Jackie Chan (numa espécie de homenagem) tem pouco a fazer, mas o filme é dominado por Dustin Hoffman, talvez em seu melhor personagem da década. Todas as cenas em que Black e Hoffman estão juntos são aulas de interpretação, não sabendo pra definir qual o melhor.No fim das contas há muito pra ver nessa divertidíssima aventura animada repleta de gargalhadas do início ao fim. Com certeza do agrado da família inteira, espera-se o mesmo sucesso aqui entre os brasileiros, que deverão se apaixonar pelo panda atrapalhado.
Cotação para este filme:
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