A FORÇA DA AMIZADE
Foto: Paris Film
Porque um trio de atrizes no nível de Jéssica Lange, Kathy Bates e Joan Allen precisam descer ao patamar de algo como esse filme? Como é vergonhoso ver esse grupo de mulheres q somam 12 indicações ao Oscar se prestar a filmar um roteiro que não acrescenta coisa alguma a carreira, a vida ou a conta bancária de ninguém (lógico, porque minúsculo do jeito que ele é, duvido que elas tenham tirado uma boa grana). O filme é tão “feito pra agradar a todos” que é provável que incomode pouco mesmo, e talvez até agrade a muitos. Não a mim, que senti o cheiro de naftalina a léguas. O diretor Christopher N. Rowley está em seu segundo longa metragem e mostra que não sabe absolutamente nada de escolher projetos, tendo em vista que o roteiro de Daniel D. Davis é de uma pobreza sem fim. Construiu os 3 personagens femininos mais batidos e cretinos do ano, numa trama surrada e datada que acaba soando como um ‘Thelma & Louise dos MUITO pobres’.
Arvilla (Lange) acaba de ficar viúva e sua enteada quer as cinzas do pai, deixando sua madrasta ficar com a casa do casal se o acordo for mantido. Sofrendo por ter de se separar do restos mortais do homem que amou por 20 anos mas sem poder se dar ao luxo de abrir mão de sua moradia, ela convida suas melhores amigas Margene (Bates) e Carol (Allen) para viajar até o funeral de seu marido na casa de sua enteada, que mora do outro lado dos EUA. Elas saem então numa viagem de aventuras e descobertas pelos rincões americanos, sempre esbarrando em típicos representantes da fauna do país. É um jovem andarilho a procura do pai, é um caminhoneiro que acaba se envolvendo além do esperado com as amigas, todos de alguma forma afetam ou são afetados. Ou seja, nada mais clichê, todos usados das maneiras mais ridículas possíveis. No fim das contas pouca coisa atrai nessa viagem, e o talento das atrizes é pouco ou nada explorado; é realmente de dar pena.
Talvez quem mais clame por socorro entre as 3 seja mesmo Jéssica Lange. Há anos escondida em pontas em filmes que não lhe oferecem nada, Lange cada vez mais se distancia da imagem de magnífica atriz que sempre tivemos dela. Duas vezes vencedora do Oscar (por Tootsie e por Céu Azul) e indicada outras 4 vezes (por Frances, Minha Terra Minha Vida, O Sonho da Minha Vida e Muito Mais que um Crime), Lange foi vista sempre em atuações que iam do memorável ao sublime. Com os anos e as rugas, se submeteu a uma série de intervenções plásticas que tiraram sua jovialidade ainda mais e o aspecto falso que aparece em tantas mulheres se faz presente hoje. Uma pena que uma grande atriz como ela tenha sido levada a isso.
Bates e Allen estão melhores posicionadas. Ambas com 3 indicações ao Oscar cada (Louca Obsessão, Segredos do Poder e As Confissões de Schmidt; Nixon, As Bruxas de Salem e A Conspiração, respectivamente), estão com diversos grandes projetos engatilhados, alguns com chances reais na época das premiações. Pena que o encontro entre 3 grandes atrizes tenha rendido quase nada.
Um roteiro preguiçoso, uma direção inexistente, as mesmas teclas batidas que já vemos há décadas em todas as áreas... ou seja, um filme com relevância zero. Querendo distração por aqui, preparem-se pra assistir ao mesmo filme de sempre.
Cotação para este filme:
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