» FICHA TÉCNICA |

Título do Filme: Wall-E
Título Original: Wall-E
Idioma: Inglês
Gênero: Animação
Produtora: Pixar
Distribuidora: Disney
Direção & Roteiro: Andrew Stanton
Data de Estréia: 27/06/2008


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francisco carbone »

rosquinhamabel@hotmail.com

» RIO DE JANEIRO, 26 de junho DE 2008

Wall-E

Fotos: Disney/Pixar

O espaço. A câmera vem dele até o planeta, um planeta. Parece a Terra, mas não a Terra como conhecemos. Algo aconteceu aqui. O planeta azul não é mais aquele que conhecemos. Tudo são prédios. Prédios e escombros. Mas a câmera se aproxima e passamos a ver mais que os prédios. Vemos que nem tudo que imaginávamos ver são prédios. Na verdade ao lado dos prédios existem pilhas amontoadas. Lixo. Então é isso, foi nisso que a Terra se transformou no que parece ser um cenário apocalíptico: escombros e pilhas de lixo. O futuro é hoje, e no planeta só restou Wall-E, um empregado que faz muito tempo está em uma única função: empilhar o lixo restante na Terra. Aos poucos Wall-E começa a criar sensibilidade para o que está a sua volta: isqueiros, brinquedos, xícaras, pilhas, calotas de carro, algo sempre chama a atenção dele, e ele então carrega tudo pra sua casa. Sua única alegria é assistir a um velho musical (Hello, Dolly!) e imaginar o que se esconde por trás do casal que une suas mãos em determinada cena, que estranho sentimento os levou a isso. A belíssima fotografia dos primeiros 20 minutos de Wall-E (o filme) permanece pelos 100 minutos restantes, com a mesma palheta fantástica de cores e iluminação precisa; a quantidade de referências a grandes clássicos do cinema se faz a cada nova seqüência; e Wall-E (o personagem) é um dos seres mais humanos já mostrados pelo cinema nessa década. Tudo isso seria apenas um excepcional filme cercado de elementos excepcionais por todos os lados, inclusive um grande ator, caso Wall-E (o personagem) não fosse apenas um robô e Wall-E (o filme) a mais nova animação da Pixar.

Ok, nenhum susto depois das informações finais. Afinal, quem ainda não se acostumou com o nível assombroso de excelência do estúdio que enriquece a Disney ainda mais a cada ano, além de enche-los de um prestígio que a animação tradicional não os entrega há bons anos? Porém, sem exageros: Wall-E consegue a façanha de ser a melhor animação deles e o melhor filme do gênero desde, sei lá, A Viagem de Chihiro. Nada no filme é nunca menos que impactante, a começar pelos já citados 20 minutos, sem nenhum diálogo e onde temos a certeza de acompanhar o melhor trabalho de posicionamento de câmera da década. Detalhe (que esquecemos no primeiro minuto de filme): Wall-E é uma animação, por isso não há câmera alguma nele! Sua ‘iluminação’, seus ‘enquadramentos fantásticos’, seus ‘travellings inacreditáveis’, nada mais são que trabalho dos monstros da animação da empresa que eleva seus trabalhos cada vez mais a níveis ainda superiores.


A quantidade de metáforas que surgem a cada 5 minutos de filme é uma prova do roteiro magistral do também diretor (e um dos fundadores) Andrew Stanton, o cara por trás de Procurando Nemo. Isso é magnífico para o filme, mas talvez dificulte o trabalho dos pais dos pequenos, que terão muito a explicar ao fim da sessão sobre ‘diretrizes’ e afins. Mas o amor que surge entre Wall-E e Eve é tão ‘real’ (ela, uma outra robozinha que vai até a Terra em busca de provas do ressurgimento de material humano no planeta) que as crianças acabam se encantando tanto quanto os adultos com a nova empreitada do estúdio que não cansa de nos maravilhar.

Toda a trama que envolve os seres humanos precisa de ainda mais atenção infantil. Afinal, a população restante de um desastre ecológico que acabou com planeta se refugiou numa ‘nave-cidade’, e vive nela viajando pela galáxia. Toda essa população restante se tornou bitolada, além de ter ganho formas muito arredondadas dado ao fato de ficarem o dia inteiro somente comendo e vendo tv. Pois bem, e sabe-se lá o quanto da enorme metáfora pra como anda a sociedade americana atualmente a criançada irá pegar. Mas como eu disse, Wall-E é capaz de fazer milagres em matéria de carisma.

Até o desfecho do filme é clássico, e é impressionante a forma que a pintura vai ganhando a forma de cada tempo mostrado, simplesmente genial. Sabe-se lá por quanto tempo poderia ficar citando aqui as qualidades do filme (e o trabalho de som de Bem Burtt merece um dos muitos Oscars que o filme deve ganhar), mas ao invés disso convido vocês a uma das experiências mais absurdamente líricas e impressionantes dos últimos tempos: assistir Wall-E, um marco do cinema.

Cotação para este filme:
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