Jogo de Amor em Las Vegas

Ok, antes mais nada: Jogo de Amor em Las Vegas não é tão ruim quanto parece (ou quanto se imaginava que seria). Lógico que também não é um vencedor da Palma de Ouro em Cannes, mas certos filmes são feitos pra nos relaxar e divertir, não? E eu ri bastante com esse filme, graças a junção de dois sacos de farinha idênticos: Cameron Diaz e Ashton Kutcher. Fala sério, existem atores mais genéricos que esses dois? Diaz e Kutcher podem ser trocados num elenco por quaisquer outros, e geralmente se pensa em atores melhores. Mas quer saber? Jogo de Amor em Las Vegas não precisava de atores melhores, mas sim de Diaz e Kutcher. A divertida química entre ambos e a fragilidade de seus talentos (se é que Kutcher tem algum) faz do filme uma divertida comédia e um improvável romance. E sabem que até dá pra torcer pelos pombinhos?
Joy e Jack estão em momentos-chave de suas vidas. Ela acaba de levar um chute do noivo com quem organizava um casamento e-x-t-r-e-m-a-m-e-n-t-e planejado; ele mais uma vez dá errado em um emprego, e é demitido pelo próprio pai! Ambos agora querem esfriar a cabeça e meter o pé na jaca, e seus respectivos melhores amigos Hater e Tipper (Rob Corddry e Lake Bell) os aconselha ao óbvio: Las Vegas. Lá eles poderão afogar suas mágoas sem culpa, e voltar com as baterias carregadas pro resto de suas vidas. Mas uma noite de bebedeira e loucura após se conhecerem no hotel onde estão hospedados faz com que o impensável aconteça: eles acordam casados. A anulação seria de comum acordo, até que no meio de uma briga Jack aposta num caça-níqueis com uma moeda de Joy... e ganha 3 milhões de dólares. O juiz diz que pra conceder a separação eles precisam ao menos vencer as diferenças (que são inúmeras) e os obriga a viver juntos por 6 meses, caso queiram dividir a bolada. E aí começa o inferno de ambos, que sabotar-se-ão (toma, Fabrício! Huahuahuahuahauahua) mutuamente com o intuito de ficar sozinhos com toda a grana. No meio do caminho, vocês imaginam o que irá acontecer... e aí vai ficar difícil assumir o que sentem.
Com um coadjuvante do nível da excelência de Rob Corddry (que tem várias cenas hilárias) e uma trama simples mas q explora bem a persona de ambos, não fica difícil pra Diaz e Kutcher se esbaldarem em cena, mostrando que o que pode faltar em talento sobra em empatia e cumplicidade, divertindo e provando que um filme não precisa ser perfeito pra agradar, provocando até nossa torcida pela melhora na carreira. Ok, torcendo muito mais pela carreira de Kutcher que pela de Diaz, que de fato tem algo mais sólido.
Kutcher, de um tempo pra cá é o marido de Demi Moore, e disso não tem muito se afastado. Lançado no seriado That 70’s Show, Ashton Kutcher fez suas primeiras aparições em Louco por Você e Texas Rangers, filmes que eram veículos para outros neo-galãs (Freddie Prinze Jr. e James Van Der Beek), mas logo ganhou uma produção própria, o medonho Cara, Cadê meu Carro?. Mas a sorte sorriu pra ele logo em seguida, e ele explodiu em Recém Casados, filme da mesma espécie desse e com o mesmo sucesso, só que de 6 anos atrás. Com vários filmes fracos em seqüência (A Filha do Chefe, A Família da Noiva, De Repente é Amor), Kutcher só chamou atenção no curioso Efeito Borboleta até chegar a esse Las Vegas.
A carreira de Diaz, no entanto é recheada de sucesso e reconhecimento. Depois da sensacional (em todos os sentidos) estréia ao lado de Jim Carrey em O Máskara, Diaz embarcou numa onda independente e fez vários filmes do gênero (O Último Jantar, Nosso Tipo de Mulher, Paixão Bandida, Amor Alucinante, Por uma Vida menos Ordinária) até chegarmos a 97/98, os anos de seu estrelato. O Casamento do meu Melhor Amigo e Quem vai Ficar com Mary? colocaram Diaz no alto dos cartazes, sendo inclusive respeitadíssima (chegou ao cúmulo de ganhar o prêmio de melhor atriz da Associação de Críticos de Nova York pelo segundo no lugar de Fernanda Montenegro por Central do Brasil). Novas ótimas interpretações viriam em Quero ser John Malkovich, Coisas que Você pode Dizer só de Olhar para Ela e Vanilla Sky, com As Panteras e Shrek no meio do caminho. Ou seja, uma linda mulher que tem erros (Uma História a Três, Tudo para Ficar com Ele, Uma Loucura de Casamento) e acertos na carreira, como tantas atrizes.
No fim de Jogo de Amor em Las Vegas fica o excesso de química de ambos, que estão a vontade em cena e ajudam um filme despretensioso a divertir mais do que seria permitido.
Cotação para este filme:
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