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Filme: Quando Estou Amando
Original: Quand j’étais Chanteur
Idioma: Francês
Duração: 110 Minutos
Gênero: Romance
Produtora: Europa Corp.
Distribuidora: Califórnia Filmes
Direção & Roteiro: Xavier Gianolli
Elenco: Gerard Depardieu, Cecile de France, Mathieu Amalric
Data de Estréia: 30/05/2008


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francisco carbone »

rosquinhamabel@hotmail.com

» RIO DE JANEIRO, 29 DE MAIO DE 2008

QUANDO ESTOU AMANDO

Há dois anos atrás, ao assistir Quando Estou Amando pela primeira vez, não sabia que um filme de conexão tão popular com o público demoraria tanto tempo pra desembarcar no circuito. Pois bem, sabem que ao contrário de todas as ocasiões a impressão que fica dessa vez é a de que esperar foi a melhor opção? Afinal, de dois anos pra cá o talento e a fama de Gerard Depardieu continua a mesma, mas a de Cécile de France... essa se tornou a musa do cinema alternativo local, e a diagramação do pôster concebido pela distribuidora só confirma a estratégia: “Gerard Depardieu / Cécile de France... de Um Lugar na Platéia”, associando o nome da jovem atriz belga ao do sucesso que explodiu aqui em meados do ano passado. Além de tudo, o filme em si é uma deliciosa celebração ao amor, a vida e a música, exatamente como era também o já citado longa francês que foi o maior sucesso alternativo da temporada 2007.

Em si, o filme tem uma pegada bem simples: o cantor de baile Alain Moreau já está em decadência, física, artística e emocional. Sozinho e cada vez mais afundado em dívidas, Alain não tem muitos motivos pra deixar de ser o cara relaxado e largado que é. Até que em umas de suas apresentações (onde a faixa etária varia entre 60 e 70 anos) ele conhece o oposto de seu público, a jovem divorciada Marion, também solitária mas sem nenhum interesse em algo romântico no momento. Logo surge uma afinidade entre eles, e o sexo casual é consumado. O que para Marion deveria ter ficado naquela noite, trás de volta o colorido a vida de Alain e o baqueado cantor de sucessos franceses do passado vai virar um cavalheiro sedutor e encantador, capaz de tudo para conquistar a mulher que lhe reacendeu uma chama apagada há tempos.

Dentro dessa proposta, dá pra imaginar o que o público irá encontrar na sala escura, que é justamente o clima e a leveza de Um Lugar na Platéia. Muita música boa, cantada por um inspirado Depardieu, uma trama agridoce capaz de derreter corações e momentos divertidos tirados por um casal no ápice de sua química e talento. Depardieu há tempos que vivia um “momento Robert DeNiro”: lá atrás ambos se encontraram no épico de Bernardo Bertolucci 1900, uma saga pelo século passado. A partir daí, a trajetória e sucesso de Depardieu se tornou impressionante, principalmente pelo enorme talento que ele sempre esfregou na nossa cara. O Ultimo Metrô, A Mulher do Lado, O Retorno de Martin Guerre, Danton, Bela Demais pra Você, Sob o Sol de Satã, Camille Claudel e a explosão mundial de seu talento em Cyrano de Bergerac, indicado ao Oscar e vencedor do prêmio de ator em Cannes. Só que, como DeNiro, na virada da década passada sua carreira sofreu um revés, muito provavelmente causado pela idade. E se seguiram filmes de gosto duvidoso como 102 Dálmatas, O Homem da Máscara de Ferro, até chegar a série Asterix e Obelix, extremamente comercial. A virada que ele consegue em Quando Estou Amando ainda não aconteceu a DeNiro, mas é bom ver que alguém com anos de estrada como esse grande ator francês ainda é capaz de explodir em talento na tela, ainda mais ao lado de uma promessa como Cecile. Apresentada ao público brasileiro em Albergue Espanhol e sua continuação Bonecas Russas, Cecile é uma promessa tão evidente de talento que todo ano concorre ao César, já tendo 5 indicações ao prêmio (e vencido 2 vezes, justamente por sua personagem em Albergue... e Bonecas...). Mas foi mesmo com a garçonete francesa rodando por artistas na Avenida Mountaigne do ano passado que a linda jovem atriz se tornou famosa aqui. Já não era sem tempo, pois talento e beleza a moça tem de sobra.

Agora é esperar e conferir: Quando Estou Amando terá o mesmo destino de Um Lugar na Platéia por aqui, ou seja, o sucesso. E será merecido, porque um filme tão bem interpretado e de singeleza tão óbvia não terá outra saída entre nós que não as filas em frente as salas. Parabéns ao diretor Xavier Gianolli por retrato tão delicado sobre a decadência de um homem e sua recuperação pelo amor, puro e simples.

Cotação para este filme:
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