» FICHA TÉCNICA |

Título do Filme: Longe Dela
Título Original: Away From Her
Idioma: Inglês
Duração: 110 m
Gênero: Romance/Drama
Produtora: Lions Gate
Distribuidora: Platina Filmes
Direção & Roteiro: Sarah Polley
Elenco: Julie Christie, Gordon Pinsett, Olímpia Dukakis, Michael Murphy.
Estréia no Brasil: 16/05/2008


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francisco carbone »

rosquinhamabel@hotmail.com

» RIO DE JANEIRO, 16 DE MAIO DE 2008

LONGE DELA

Foto: Divulgação

Depois de um longuíssimo e tenebroso inverno, eis que essa estréia na direção da atriz Sarah Polley chega às telas. Entre abril do ano passado (quando estreou nos EUA) e fevereiro passado, de tudo aconteceu com esse filme. Na verdade, sua trajetória começou no tradicional Festival de Toronto de 2006, quando o filme saiu aclamado por toda a crítica e público. Como sua estréia americana em circuito só aconteceu ano passado, o filme só se candidatou a temporada de prêmios da última virada de ano. E desde que a crítica pôs os olhos em cima da fita, comenta-se que o barulho que ela faria nas premiações seria quase ensurdecedor. Pois bem, todos tinham razão e em todos os sentidos. O filme realmente fez a festa na temporada pré-Oscar, e Julie Christie tornou-se a atriz mais premiada do ano passado pelo filme. Foram várias associações de críticos, Globo de Ouro, Sindicato dos Atores, todos louvando o trabalho da veterana inglesa. Estranhamente, no seu país, sua vitória emperrou, e parece que foi ali que Christie começou a perder seu Oscar, já que ambos os prêmios foram para a assombrosa Piaf de Marion Cotillard. Nada disso apagou os méritos do filme, que ainda concorreu à estatueta dourada na categoria de roteiro, escrito também por Polley.

De tanto salientar a interpretação realmente tocante e contida que Christie imprime, a impressão que se pode ter é a de que o filme  resume-se à sua personagem, Fiona. Mas a verdade é que esse belo romance que ainda é intenso na terceira idade tem na figura de Gordon Pinsett, astro maior, com muito mais tempo em cena e uma interpretação ainda mais rica, porém esquecida. Eles vivem um casal que está junto há mais de 40 anos e que começa a ser assombrado por um cruel fantasma: o Alzheimer. Quando Fiona começa a ter leves lapsos de memória, esquecendo nomes de objetos e se perdendo na volta para casa depois de seus habituais passeios de esqui, ela e seu marido Grant precisam enfrentar uma difícil decisão, e Fiona não pensa duas vezes: prefere perder a consciência afastada do homem que amou por toda a vida, não achando justo que ambos vivam o sofrer do esquecimento do sentimento que os une. É aí que Fiona interna-se numa clínica própria para pacientes com o Mal e pede para Grant afastar-se. Suas visitas diárias passam a ser semanais quando ele percebe que sua esposa já não se comporta como antes, inclusive passando a declarar um amor súbito por outro interno do lugar. E na angústia de Grant é que o filme se apóia, criando assim um grande mérito e o maior defeito do filme.

O nível de sensibilidade e solidez que Polley imprime a seus trabalhos como atriz foi realçado como diretora e roteirista, em momento de extrema contenção, ao mesmo tempo em que a emoção brota com fluidez. O entrosamento entre os protagonistas é também fantástico, e percebe-se facilmente a influência do mestre dos mestres Ingmar Bergman em sua estréia. Só de contar com inspiração tão fabulosa, Polley já merece todos os louros que colheu. Mas nem tudo são flores, e consigo questionar facilmente a escolha do desenrolar do filme, quando Grant ganha a maior parte do tempo e Fiona vai sendo esquecida não só pelo marido, como também pelo próprio filme. Uma personagem das mais ricas e com uma interpretação tão marcante não merecia ser abandonada de maneira tão abrupta. O esquisito crescimento da personagem vivida pela premiada Olímpia Dukakis também não chama a atenção, parecendo gratuito.

No fim das contas, lembramos do óbvio: é um filme de estréia, logicamente que Polley não podia acertar todas as bolas na caçapa. O que restou é um filme de grande emoção e entrega de seus atores, que merecia maior acabamento, mas que deixa claro que uma possível autora esteja nascendo. Se em sua estréia ela entregou algo tão orgânico e fora dos padrões atuais do que se vê atualmente como ‘romance’ nas telas, isso é muito mais que válido.

Cotação para este filme:
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