TRÊS VEZES AMOR
Foto: Divulgação/Universal

Não sei quantas vezes um filme conseguiu surpreender-me nos dias de hoje. Com a internet em alta, dando-nos flashs diários sobre filmagens, bastidores, roteiros e tudo que diz respeito a cada produção rodada ao redor do mundo, somente roteiros muito incríveis (e com consciência dessa característica) ainda sobrevivem imaculados e se revelam grandes surpresas. Mesmo obras magníficas, como Sangue Negro, Os Infiltrados, Vôo United 93 ou 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias, já são tão massificadas pelos meios de comunicação antes de chegarem até nós, que tudo que precisamos fazer é assisti-los, porque a certeza de sua excelência é clara muito antes do ato de assistir. Agora, quem consegue lembrar de algo que tenha saído do cantinho das obras pequeninas e tenha se mostrado uma grata surpresa ao final da exibição? Pois com toda a limitação que o gênero tenha-o posicionado, é possível divertir-se, emocionar-se e mesmo curtir o frescor raro que foi injetado em Três Vezes Amor, nova comédia romântica que deveria ser ‘apenas mais um filminho fofo para fazer suspirar casais apaixonados’ e acaba se revelando uma inteligente opção.
Pode ter uma dose de sorte no projeto? Lógico que sim, afinal, o diretor Adam Brooks está na sua primeira viagem na cadeira e, como roteirista, há muito não tinha um diferencial no currículo (talvez o único seja Surpresas do Coração, com Meg Ryan e Kevin Kline, há 15 anos), no meio de bobagens como Winbledon, Da Magia à Sedução e Uma História a Três. O certo é que o tiro parece ter acertado em cheio nessa história humana sobre o bonito relacionamento entre pai e filha e o momento onde as nossas escolhas batem de frente com as nossas vontades (e também as dos outros). O mais legal de tudo talvez seja a visão bem moderna que a ótima montagem emprega ao filme, indo e vindo no tempo e situando de maneira exemplar uma história que se desenrola por quase 20 anos. Tudo isso iria por água abaixo sem a base de sempre: um bom roteiro. Mas além de Adam ter criado diálogos deliciosos, também fez questão de dar vida real a personagens geralmente tratados sem dimensionalidade. Ah, e como esquecer a excelente trilha sonora que passeia pelos anos 90 e 2000, indo de EMF a Dido, fazendo-nos assoviar durante toda a sessão.
Will Hayes (Ryan Reynolds) está prestes a assinar a papelada de sua separação e está em crise por isso. Sua filha Maya (Abigail Breslin) começou a se interessar pelos caminhos tortuosos que nos levam ao sexo oposto e Will tem uma idéia: contar a ela a história de amor que viveu com sua mãe, trocando nomes de três mulheres com quem se envolveu na juventude para que a menina descubra sozinha a que personagem corresponde sua mãe. Com isso, Will teria também a chance de analisar a própria vida e decidir se agiu certo com Emily (Elizabeth Banks), sua namorada de juventude, com Summer (Rachael Weisz), a sedutora mulher que conheceu quando se mudou para Nova York e com April (Islã Fisher), sua espevitada colega de trabalho.
Saber somente a base do filme é primordial para entrar na brincadeira proposta por Will à sua filha, pois também passamos o filme tentando adivinhar o resultado da historinha. E mesmo que descubramos, antes da pequena, a identidade de sua mãe, é certo que o filme é divertido e original além da conta. Fosse um pouco menor (o filme tem uns quinze minutos finais bem arbitrários) e desse ainda mais conta dos personagens secundários, seria a diversão perfeita. Do jeito que ficou, é uma comédia romântica (que até pano de fundo político muito interessante tem) despretensiosa e muito acima da média, daqueles filmes gostosos de assistir a dois.
Cotação para este filme:
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