Awake – A Vida por um Fio
Foto: Divulgação/Playarte Filmes
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Como começar a resenha de um filme onde nada se salva? O que fazer quando no meio de uma sessão de cinema você toma conhecimento da burrada que fez entrando naquela sala? Na consciência do dinheiro jogado fora, qual a melhor saída? Qual a melhor forma de punir os responsáveis por um dos produtos mais vagabundos que o circuito exibidor brasileiro exibirá esse ano? Diante de tantas perguntas (muitas delas sem respostas), todas elas relacionadas a Awake, um dos mais fortes candidatos a “pior filme do ano”, resta tentar saber o que aconteceu de errado no projeto em questão. Um resumo? Tudo.
Na verdade, há pouco a falar e muito a lamentar. Lamentos esses mais relacionados a nós mesmos e à nossa incapacidade de escolher bons filmes pra assistir do que a alguém relacionado ao filme. Apenas dois nomes saem chamuscados da empreitada, os únicos com algo a perder: Terrence Howard e Russell Carpenter, o diretor de fotografia vencedor do Oscar (e de todos os prêmios daquele ano) por Titanic. Ainda que seu único momento de brilho na carreira tenha sido aquele (afinal, fotografar “coisas” como A Sogra, Cemitério Maldito II e produções de Jean-Claude Van Dammes só contribuem para seu habitual currículo), ele deveria ao menos fazer jus a seus prêmios. Quanto a Howard, é quase certo que suas contas estavam atrasadas, já que sua folha corrida é excelente. Todos o resto do elenco já chafurda na lama faz tempo, como o casal protagonista. Hayden Christensen ainda teve algum brilho em O Preço da Verdade, mas precisa mesmo se livrar da série Star Wars e da maldição de ser Darth Vader; até agora, nada feito. Já Jéssica Alba continua rumo a ser a pior atriz da década sem esforço algum, já que ela é naturalmente péssima. Coadjuvantes também ruins (inclusive a ‘um dia promessa...’ Lena Olin) e uma estréia na direção da pior qualidade fazem de Awake um acontecimento. A ser evitado.
Vamos à (pavorosa) trama: Clay é um jovem herdeiro apaixonado pela sua secretária, a também jovem Samantha. Sua mãe nem imagina o quanto seu filho possa estar envolvido com a moça, até porque está mexendo seus pauzinhos para um casamento de interesses para o filho. Clay também precisa de um transplante cardíaco e aguarda na fila por um novo órgão, quando seu amigo e médico Jack chama-o para operar no dia em que ele resolveu libertar-se do julgo da mãe e casou com sua amada. Porém, durante a operação, a anestesia não surte o efeito normal e Clay viverá um pesadelo de dor lancinante, onde não há espaço para gritos ou desespero. No auge do sofrimento, Clay sai do próprio corpo e percorrendo o hospital descobre que sua operação pode ter um motivo obscuro. Ou será que o tamanho da dor estará lhe causando uma espécie de paranóia?
É isso, minha gente. Apesar do fenômeno mostrado no filme ser real e provocar arrepios em muita gente, é a única coisa capaz de nos arrastar até o fim dessa joça que, pela minha descrição, vocês sentiram o drama da quantidade absurda de clichês, citações e lugares-comuns jogados na tela. Tudo obra de Joby Harold, não satisfeito de escrever essa bomba ainda conseguiu convencer sei lá quantos engravatados que poderia também dirigir. O resultado é nunca menos que risível e constrangedor. Os saltos no tempo e em acontecimentos da trama em direção à coerência zero fazem-nos lembrar o outro filme em cartaz de Christensen, Jumper. Nem na ficção científica se viu tantos furos, incoerências e soluções preguiçosas juntas. A reviravolta final não serve para amenizar o freak show mostrado na tela, mas para fazer tudo ainda mais canhestro e vagabundo.
No fim das contas, é bom notar que não somente de Sangue Negro, Natureza Selvagem e Desejo e Reparação vivemos. Tem sempre uns lixos como esse para nos divertir/aborrecer. E que venham os próximos.
Cotação para este filme:
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