IRINA PALM
Foto: Divulgação/Division
Ao estrear no Festival de Berlim do ano passado, esse Irina Palm foi imediatamente alçado à categoria de favorito máximo ao prêmio de melhor atriz do evento, para Marianne Faithful, no papel-título. O festival terminou e todos vimos Nina Hoss sair de lá com o tal prêmio (por Yella) e Marianne ficou a ver navios. Assistir ao filme é constatar como exagerados eram os elogios iniciais à sua protagonista, como também podem ser considerados exagerados quaisquer elogios rasgados ao filme em si, somente simpático e interessante. O diretor Sam Garbarski viu, durante o Festival do Rio do ano passado, esse seu filme estrear na América Latina quando simultaneamente seu filme anterior estourava de sucesso no circuito normal. Mas, como nesse aqui, em O Tango de Rashveski podemos dizer que houve um exagero de elogios, quando o filme é somente simpático também. Assistindo aos seus filmes, podemos dizer que Sam tem poucas chances de melhorar seu repertório, sempre abusando da burocracia em planos e intenções. Sem a ajuda de um grande roteiro, a carreira dele parece não chegar a lugar algum. Se há algo que Irina Palm decididamente não tem, é um grande roteiro.
A trama: Maggie é uma senhora viúva de seus cinqüenta e muitos anos cuja única alegria na vida é o amor de seu neto. Quando a doença do menino se intensifica e ele precisa de uma operação urgente na Austrália, Maggie decide trabalhar para ajudar na compra da passagem da família para o outro continente. O que Maggie não imaginava era quão difícil seria conseguir um emprego na sua cidade. Sua saída acaba sendo uma boate de shows eróticos, onde esperava trabalhar como servente e acaba na principal atividade do lugar: simplesmente a responsável pela masturbação do público, que paga muito bem para sentir suas mãos delicadas a tocar seus sexos. Aos poucos, ela desperta o interesse romântico do bronco dono do bordel, e aí fica claro que ela pretende declarar-se a improvável heroína do filme.
Não temos muito a dizer além disso, e de acordo com o que foi descrito fica clara a opção de direção e roteiro: produzir um esquemático ‘filme-conceito’, tão caro ao cinema inglês na década de 90 e no início dessa também. Todos nós vimos baldes desses filmes, como aquele ‘onde desempregados nada atraentes organizam-se para fazer um strip-tease e tentar decolar algum dinheiro’ (Ou Tudo ou Nada), ou o das ‘velhinhas que posam nuas em troca da ajuda a um hospital sem patrocínio’ (Garotas do Calendário), ou ainda o da ‘viúva que precisa plantar e vender maconha pra sobreviver’ (O Barato de Grace) ou mesmo o do ‘velhinho que falece no dia que ganha na loteria e sua cidade decide ficar com o dinheiro para uma reforma’ (A Fortuna de Ned). Todos esses filmes foram muito simpáticos, bonitinhos, com ótimos elencos, mas todos não iam muito além dessas idéias inicias, mostrando-se ineficazes enquanto obra cinematográfica (talvez se fossem curtas...). Irina Palm vai por esse caminho sem apostar no viés cômico, apesar da premissa bizarra. A dor de Maggie com a doença do neto é verdadeira, assim como a paixão que nasce entre ela e o dono do bordel (Miki Manojlovic, uma das poucas coisas não óbvias do filme).
O filme é inofensivo, essa é a verdade. Não tem grande personalidade nem escolhe um lado óbvio (ser bom ou ruim). Apenas não muda a vida de ninguém e, em minha opinião, nada é pior do que a medíocre simplicidade mostrada por esse tipo de produção. Mil vezes a coragem de ser péssimo do que a estabilidade de ser apenas ‘ok’, como é o caso aqui. Dá para entender o júri do Festival de Berlim que não se pronunciou sobre o filme, ele não merece nenhuma lembrança mesmo. É assistir, divertir-se e esquecer, menos de meia hora após.
Cotação para este filme:
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