» FICHA TÉCNICA |

Título do Filme: 10.000 aC
Título Original: 10.000 bC
País de Origem: EUA
Idioma: Inglês
Duração: 100 Minutos
Gênero: Aventura
Produtora: Warner Bros.
Distribuidora: Warner
Direção: Roland Emmerich
Elenco: Steven Strait, Camila Belle, Cliff Curtis.
Site: www.warnerbros.com.br
Estréia no Brasil: 07/03/08


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francisco carbone »

rosquinhamabel@hotmail.com

» RIO DE JANEIRO, 22 DE FEVEREIRO DE 2008

10.000 aC.

Foto: Divulgação/Warner

Roland Emmerich nunca demonstrou ser um grande diretor, sempre rondou o lado de figuras como Michael Bay (Armageddon e Pearl Harbor) e Dominic Sena (60 Segundos e A Senha). Mas, metido em sua verve exclusivamente comercial, nunca decepcionou em suas incursões dentro do universo ‘blockbuster’, pelo contrário. Independence Day, Stargate, O Patriota e O Dia depois de Amanhã são demonstrações de suas habilidades como manipulador de grandes multidões, vide a infindável quantidade de dinheiro arrecadada mundo afora por esses longas. Talvez sua mão tenha mostrado-se errada apenas em Godzilla, um ultraje cinematográfico em todos os sentidos, pois nem era bom nem arrecadou coisa alguma nas bilheterias. Assinatura ele nunca teve (porque Michael Bay por mais vagabundo que seja como diretor apenas tem uma marca, por pior que seja); sua preocupação sempre foi com o tamanho das suas produções, e nisso ele nunca decepcionou. Pois quem achava que o pior filme de sua carreira era a produção acima citada sobre o lagarto anabolizado se enganou. A estréia de 10.000 aC prova que não há limites para a indigência do cinema americano.

O curioso é notar que o filme chega à tela grande praticamente junto a uma outra produção igualmente nefasta chamada Espartalhões, que seria uma sátira a 300 e também a outras superproduções. Pois 10.000 aC não fica nada a dever a esse filme no sentido de ausência de qualidade e comédia (mesmo que involuntária). Afinal, alguém acredita que não seja de fato uma sátira quando vemos seqüências inteiras retiradas de outros filmes, reproduzidas sem ao menos a metade do talento observado anteriormente? Pois é exatamente nessas seqüências que ‘reproduzem’ King Kong, Apocalypto e tantos outros que percebemos que o pouco talento que Emmerich possui não marcou presença dessa vez.

O fiapo de trama resume-se a uma tribo de homens das cavernas cujo líder se embrenha pelo mundo em busca de ‘não-se-sabe-o-quê’. Ao abandonar o filho nesse grupo, não imagina que o rapaz vá cescer sendo rechaçado pela covardia do pai e terá que provar sua coragem dia a dia, até que seu amor por uma jovem o levará a participar de várias competições pela nova liderança local, enfrentando mamutes, pterodáctilos, líderes sanguinários de grupos rivais (numa seqüência ‘chupada’ descaradamente do filme de Mel Gibson que já era bem fraco), ou seja, tudo o que o dinheiro pode comprar no sentido de efeitos especiais. E são esses efeitos especiais que não transformam o filme numa bomba vagabunda qualquer, já que a eficiência deles e uma outra boa seqüência de ação é mostrada, em meio a muitos bocejos.

Junte a essa mistura atores pavorosos, um roteiro que obviamente deve ter sido escrito e remexido durante todo o processo de filmagem, personagens horríveis (uma velha vidente que desmaia e se treme toda a cada previsão; um antagonista ao herói tão apagado que simplesmente desaparece no meio do filme; um mentor espiritual – sempre há um! – com a maior coleção de clichês já proferidos por alguém). E numa grave nota a favor de Apocalypto, a verdade é que o filme de Mel Gibson deixou uma marca difícil de ser alcançada por qualquer novo aventureiro que se atreva no gênero: quando se demonstra ser possível rodar um filme todo falado numa língua praticamente morta como o ‘yucatan’, fica difícil engolir homens das cavernas falando num inglês perfeito.

Agora é esperar, porque Emmerich já anunciou seu novo projeto para daqui a dois anos. E se após o surgimento do lagartão oriental nas ruas de Nova York ele já nos entregou o inverno glacial mais convincente e excitante que Manhattan já conferiu, pode ser que nova salvação venha após esse trapo de filme. Contudo, a mágica dessa vez deverá ser bem eficiente para suplantar isso que provavelmente estará nas listas de piores do ano ao fim de 2008.

OBS: Não apenas o crítico que vos fala se sentiu constrangido com a falta de qualidade do projeto; a sessão inteira ria de se contorcer durante toda a projeção, uma mostra de que a comédia involuntária realmente se fez presente nesse mal fadado projeto.

Cotação para este filme:


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