Título do Filme: O Orfanato Título Original: El Orfanato País de Origem: Espanha Idioma: Espanhol Duração: 105 Minutos
Gênero: Suspense / Drama Produtora: Warner Bros. Distribuidora: Califórnia Direção: Juan Antonio Bayona Roteiro: Sergio C. Sanchez Elenco: Belén Rueda, Fernando Cayo, Roger Princip, Mabel Rivera, Geraldine Chaplin.
Site: www.californiafilmes.com.br Estréia no Brasil: 07/03/08
Quando poderíamos imaginar que um dia a expressão ‘terror romântico’ seria criada? Mas a verdade é que, tirando a atmosfera que Ghost (que tava bem longe de ser um filme de terror, afinal) criou há dezoito anos, o gênero nunca se imaginou perfilado com frases ternas e lágrimas de emoção. Mas, em 99, um filme revolucionou os sustos que levávamos na sala escura, tudo na base de um astro que precisava reciclar-se e um garotinho talentoso que teimava em “ver gente morta”. O Sexo Sentido foi um sucesso tão estrondoso, merecido e ao mesmo tempo surpreendente (pelo pequeno porte da produção) que a máquina hollywoodiana começou a trabalhar na ânsia de produzir genéricos pavorosos, tal como O Mistério da Libélula e Protegida por um Anjo. É lógico que de tanto bater na mesma tecla eles iriam acertar eventualmente, e aí apareceram Os Outros (que, na verdade, tinha mão de obra e dinheiro espanhol em sua riqueza narrativa) e A Espinha do Diabo (de fato, um longa espanhol dirigido pelo grande Guillermo Del Toro), entre outros. A mesma Espanha vem trazer-nos, agora, nova produção de Del Toro, que passou a direção ao estreante Juan Antonio Bayona, candidato do país ao Oscar desse ano, que acabou não vingando. Confesso que não conferi muitos filmes espanhóis no ano passado, então não sei dizer se a escolha espanhola foi merecida, mas ninguém pode negar que O Orfanato tem fácil comunicação com qualquer platéia e não deve ter sido difícil seduzir a platéia americana.
Mas voltando rapidamente ao assunto abordado de início, o que viria a ser um ‘terror romântico’? Pois bem, quem assistiu aos filmes citados sabe que eles tem algumas particularidades em comum: 1) fantasmas; 2) crianças; 3) histórias tristes escondidas sob os sustos; 4) eventuais lágrimas ao final da sessão. Em O Orfanato tudo isso está presente, de novo. E os parabéns iniciais cabem realmente ao produtor Del Toro, já que o nível da realização é espantoso. Sem dever nada às melhores produções rodadas na capital do cinema, o filme envolve de maneira exemplar e será difícil imaginar algum espectador (mesmo o mais xiita amante do cinema americano) que não seja completamente recompensado ao final da sessão. Tão fácil é gostar do filme que ficamos ao final tentando achar algum defeito, que de fato não há.
O filme acompanha o casal Laura e Carlos (Belén Rueda e Fernando Cayo) na compra de um casarão que servirá para que eles montem por lá um centro de assistência a crianças com qualquer tipo de deficiência, sejam elas mentais ou corporais. Esse sonho antigo de Laura tem a ver com a casa escolhida e o seu próprio passado, quando ela viveu sua infância num orfanato exatamente na mesma casa. O casal também pretende morar nas dependências com o filho pequeno, Simon (Roger Princip, extremamente expressivo e dono de muitas surpresas na trama do filme), uma criança na fase dos ‘amigos imaginários’, o que não faz sua mãe perceber os estranhos acontecimentos que se vem desenrolando em sua casa. Até que durante a festa de inauguração da casa, Simon desaparece. E, durante os meses seguintes, Laura vai tentar provar a todos que seu filho está vivo, mantido vivo em cativeiro por alguma coisa ou força que também reside junto a eles, naquela casa.
Infelizmente a nota máxima não vem na crítica pela verdadeira falta de novidade das situações, embora todas sejam bem realizadas, defendidas e finalizadas. Se o filme é tão bom, isso não tem muito a ver com o roteiro, que não tem nada de mais mesmo. Tem a ver com ótimo elenco (e a participação especial de Geraldine Chaplin só abrilhanta ainda mais a produção), com ótima montagem, com fotografia de primeira, com direção competente. Isso tudo faz qualquer filme ainda melhor.