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Filme: Persepolis
Título Original: Persepolis
País de Origem: França
Idioma: Francês
Duração: 90 Minutos
Gênero: Animação / Drama
Produtora: 2.4.7. Films
Distribuidora: Europa Filmes
Direção & Roteiro: Marjane Satrapi & Vincent Paronnaud
Elenco: Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve, Daniele Derrieux, Simon Abkarian, Gabrielle Lopes.
www.europafilmes.com.br
Estréia no Brasil: 22/02/08


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francisco carbone »

rosquinhamabel@hotmail.com

» RIO DE JANEIRO, 22 DE FEVEREIRO DE 2008

Persepolis

Foto: Divulgação

A última animação francesa que vimos fazia a empolgação com esse projeto ser genuína. As Bicicletas de Belleville era tão fartamente cheio de acertos, realmente um grande filme, que a vontade de conhecer nova visão de técnicas do país fez-se presente. Foi quando explodiu em Cannes do ano passado essa pérola do cinema francês, uma ode à liberdade de expressão e de atitude que dialoga de maneira direta com A Culpa é do Fidel!, sucesso do circuito ainda em cartaz. Em ambas as produções, uma pequena curiosa sobre tudo pergunta e quer saber, particularmente, a respeito da política de seus respectivos países e pais. Aqui o foco é o Irã de 1979, onde a revolução islâmica era deflagrada e a menina Marji vê-se diante do horror da falta de liberdade, que cerceou os sonhos mais pertinentes de toda uma nação. Marji, na verdade, nada mais é que o retrato de Marjane Satrapi, diretora do longa e autora da HQ que deu origem ao filme. Poucas vezes viu-se na tela grande tamanha objetividade ao tratar da própria vida; ao mesmo tempo, há de se entender o sentimentalismo de algumas passagens, quando a emoção e o peso das lembranças deviam fazer-se presentes demais. De qualquer maneira, é admirável vê-la contar sua vida de maneira tão aparentemente simples, eficaz e emocionante, sem ser piegas na maioria das vezes.

O filme é uma recriação quadro a quadro da HQ e quem já a leu provavelmente não terá muito o que fazer no cinema. Quem é estreante na trama e está interessado em mais um sopro de vitalidade vinda da forma de fazer animações na França deve correr até as salas. Convencional é algo que não se aplica às técnicas utilizadas; o filme é praticamente preto & branco (apenas há algo em torno de 5 minutos a cores, no início e no fim) e é algo contemplativa durante todo o tempo também, sem espaço para arroubos de ação e agilidade, mas repleto de vida em suas seqüências espetacularmente poéticas.

Isso tudo sem falar na força do roteiro, que mostra as desventuras de Marji desde tenra idade, quando ainda era apenas uma menininha extremamente curiosa inserida numa família ativa politicamente. Sua vida era repleta de conhecimento e liberdade de expressão, justamente os primeiros itens a lhe serem arrancados quando o islamismo invadiu o Irã em 1979. Não conseguindo manter-se obediente a burkas, silêncio, compras de discos em becos como se fossem drogas e ao esfacelamento da própria família (além do país), Marji é mandado para estudar na Áustria, onde vai viver a explosão de sua juventude. A princípio, incomodada com o fato de ser iraniana e ser vista como um ‘elefante branco’, Marji aos poucos vai vivenciando que só a fé na própria nacionalidade salvá-la-ia dos tormentos pessoais que ela também viveria, mesmo longe de casa. Com a vida amorosa em frangalhos (como toda pós-adolescente), ela pede e os pais liberam sua volta para casa. É nesse momento que Marji terá de encarar o novo rumo das coisas em seu país e em nela mesma também.

A trilha sonora é um achado e acredito que Marjane muito deve ter contribuído para a escolha das músicas, afinal é a vida dela. Igualmente feliz foi a escolha do trio de protagonistas para a dublagem principal, e vemos Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve e Daniele Derrieux em plena função de um ofício ainda mais especial que simplesmente atuar. Palmas para as três.

Ao final da projeção, uma aula de geografia do mundo moderno foi dada, mas sem o didatismo comum a algumas produções e cheia do lirismo de só quem viveu aquela história poderia trazer. Pontos para o desnudamento da própria alma e pela bela reviravolta que você deu na própria história, Marjane.

 

Cotação para este filme:


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