OS INDOMÁVEIS
Foto: Divulgação/Focus Filmes
Os melhores ventos trazem esse Os Indomáveis até nós. Já que ano passado foi anunciado como a volta do faroeste e filmes como Onde os Fracos não têm Vez, Sangue Negro e O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford foram anunciados como tais, nada melhor do que ver um filme típico do gênero (e não re-imaginações, como os descritos acima) voltar com força total a ele. E mais: poder ser chamado de ‘filmaço’ sem nenhum exagero. O que mais intriga é ver esfregado na nossa cara o talento do ‘faz-tudo’ James Mangold, que acredito já ter dirigido filmes de todos os gêneros possíveis. Vejamos: policial, ok (Copland); comédia romântica, ok (Kate & Leopold); drama, ok (Garota Interrompida); terror, ok (Identidade); biografia, ok (Johnny & June); cinema indie, ok (Paixão Muda). Agora, o faroeste... sabe-se lá qual será seu próximo passo. Mas que seja com a mesma garra e talento desse aqui, seu melhor filme disparado.
O filme é uma refilmagem do faroeste Galante e Sanguinário, protagonizado por Glenn Ford nos anos 60 e que era considerado um faroeste de segunda linha. Aqui, Mangold faz o contrário, leva-nos de volta à época dos grandes filmes do gênero e não subverte nada, simplesmente nos entregando um filme à moda antiga em toda sua essência. Tudo foi preservado: a moral dos homens, seu senso de ética e justiça, os vilões ameaçadores, os mocinhos acima do bem e do mal, a atmosfera, a fotografia e a trilha clássica (Marco Beltrami arrebenta!)... está tudo lá, E quem quiser conferir um grande filme não perde por esperar, corram ao cinema.
A trama é tão simples que pode levar alguns espectadores a achá-lo pobre, mas a simplicidade também vem do gênero homenageado, que nunca primou por roteiros demasiadamente complexos ou cerebrais. Aqui, vemos o fazendeiro Dan Evans (Christian Bale) perder tudo o que tem depois de um incêndio em sua propriedade. Com a hipoteca vencida e nenhum trabalho em vista, Evans é levado a aceitar um trabalho proposto pelo xerife da cidade: levar o pistoleiro Ben Wade (Russell Crowe), líder de uma quadrilha de bandidos, assaltantes e assassinos, que finalmente foi capturado. Ele deverá estar no trem para Yuma exatamente às 3:10 e, aceitado o serviço, Evans não medirá esforços pra cumpri-lo, mesmo que Wade seja traiçoeiro e perigoso, e não tenha dúvida que seu bando irá resgatá-lo, o que de fato irá acontecer a qualquer momento.
O trabalho do elenco é de primeiríssima qualidade, e tanto Russell Crowe quanto Christian Bale estão primorosos nos papéis centrais, as verdadeiras faces humanas em meio a tantos estereótipos do bem e do mal. Bale tem defeitos graves e sobram qualidades em Crowe, e nessa dinâmica as duas personalidades se complementam. Mas o resto do elenco também brilha, como Dallas Roberts como o xerife, Gretchen Moll como a abnegada esposa de Bale, Logan Lerman como o filho que o segue na empreitada, Peter Fonda e Alan Tudyk em pequenos mas importantes papéis, entretanto, entre os coadjuvantes, ninguém brilha mais que Ben Foster, em mais uma grande interpretação aqui como Charlie Princess, o afetado porém letal braço direito de Wade.
Como disse antes, a parte técnica rege as regras dos faroestes de antigamente, e tudo parece moderno mesmo assim. Montagem tensa, fotografia clássica, trilha sonora fabulosa e figurinos excepcionais, tudo pronto para posicionar o filme num patamar além da pura diversão escapista. De qualquer maneira, ele pode ser visto assim, por amantes do gênero perdidos no tempo. A volta do faroeste deve ser comemorada, mas a estréia de um excelente novo filme nos cinemas ainda mais. Quando ele vem de onde menos se espera então, aí é ainda melhor.
(Leia outra crítica sobre este filme)
Cotação para este filme:
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