EM PARIS
Foto: Divulgação/Imovision
O diretor Christophe Honoré não tem uma obra muito vasta (são apenas cinco filmes) e esse é apenas o primeiro a estrear por aqui, mas conseguimos perceber que ainda não há nada que o faça ter uma assinatura ou maiores méritos como autor (em breve, devemos estar assistindo ao novo longa dele que parece já entrar em cartaz, Canções de Amor). Embora esse aqui tenha poucos motivos para estrear em nosso circuito, devemos limitar seu interesse ao ato de observar a capital francesa, o que sempre é um prazer indiscutível, já que seus cenários naturais são explorados à exaustão, inclusive na melhor sequência do filme, onde o personagem de Louis Garrel sai correndo pelas ruas da cidade para tentar encontrar o irmão com a qual marcou um encontro, com montagem vertiginosa e mostrando cartões postais de Paris que não cansamos nunca de contemplar.
O longa acompanha um dia (com direito a flashbacks) na vida dos irmãos franceses Jonathan e Paul, vividos respectivamente pelo já citado Louis Garrel e Romain Duris. Enquanto o primeiro vive o fim de uma adolescência que ele não quer dar por encerrada, o segundo é mais velho e já colhe a amargura de um amor perdido. Sua depressão invade a casa onde ambos dividem o quarto, mas o irmão irrequieto tenta a todo custo tirá-lo dessa situação. O pai (Guy Marchand) que também mora com eles vive preocupado com ambos, com o ímpeto festivo do primeiro e com a tristeza sem tamanho do segundo. Aos poucos vamos vendo a natureza de Paul e do que o levou a ficar assim, tomando conhecimento de seu relacionamento e os motivos do seu término; ao mesmo tempo, vamos saber o que talvez sejam as causas do comportamento ‘cafajeste’ de Jonathan, que tem tantas namoradas quanto pode (isso sem contar a quantidade absurda que ele consegue de ‘sexo casual’ num único dia).
Percebemos então que Em Paris trai sua natureza a todo tempo, e o que poderia (e deveria) ser um blockbuster francês divertido e gostoso de assistir, na verdade não sabe o que é, ora se comportando como adorável comédia romântica, ora se tornando um denso drama de relacionamento, mudando de cara toda vez que um irmão entra em foco. O filme torna-se então completamente neurastênico e, embora seja agradável acompanhar ambas as histórias, o clima de uma nunca consegue absorver o da outra, criando uma barreira intransponível em cima do todo mostrado. Vale também lembrar em como Honoré parece à vontade com a nudez de seus protagonistas, sempre que possível voltando a exibi-la em detalhes.
Quanto ao talento da dupla protagonista, isso é algo que não precise se preocupar. Garrel já tinha mostrado serviço em Os Sonhadores e Amantes Constantes, enquanto Duris não pára de crescer como ator, tendo sido visto brilhando em Exílios, De tanto Bater meu Coração Parou, O Gato Sumiu e na dupla de filmes Albergue Espanhol e Bonecas Russas. Guy Marchand também está ótimo como o pai divorciado e preocupado com seus filhos. Também não podemos esquecer da ótima trilha sonora do filme, tendo até uma música interpretada por Duris, numa bela cena. Pena que não podemos estender os elogios às escolhas de Honoré, que, com apenas 37 anos, ainda não se descobriu como diretor. Não deixa de ser um programa divertido, mas poderia ser muito mais.
(Leia outra crítca sobre este filme)
Cotação para este filme:
.....................................................................................................................................................

| Cinema | Ir para todas as Críticas | Capa
|