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Título do Filme: A Era da Inocência
Título Original: L’Âge dês Ténèbres
País de Origem: Canadá
Idioma: Francês
Duração: 100 Minutos
Data de Estréia: 01/02/2008
Gênero: Comédia
Produtora: Cinemagináire Inc.
Distribuidora: VideoFilmes
Direção e Roteiro: Denys Arcand
Elenco: Marc Lébreche, Diane Kruger, Sylvie Leonard, Caroline Neron.

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francisco carbone »

rosquinhamabel@hotmail.com

» Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 2008

A ERA DA INOCÊNCIA

Foto: Divulgação/VideoFilmes

O diretor Denys Arcand já viveu dias melhores. O início de sua carreira data da década de 60 em sua Montreal natal, com uma longa filmografia pouco vista fora de seu país. Depois de 20 anos de serviços prestados ao cinema, quase exclusivamente produzido e assistido no Canadá, eis que uma obra sua conquista o mundo inteiro (e também os acadêmicos): O Declínio do Império Americano iniciou sua jornada em torno de 20 anos ao lado de um grupo de amigos de classe média alta no Canadá nos dias de hoje (o título, que remete a uma grande passagem histórica, se repetiria em produções futuras e dialoga com o sentimento de cada uma dessas passagens em co-relação ao estado de espírito de seus personagens). Assim, vemos aqui o início da ruptura em um grupo de pessoas inteligentes e saudáveis, rumo ao desconhecido que as relações humanas lhe jogavam.

Arcand sempre fez um cinema o mais limpo possível, sempre cercado de roteiros exemplares e de uma direção de atores brilhante, tudo em prol de momentos tão genuinamente humanos como mostrados em seus longas. Jesus de Montreal (que mostra um grupo de atores tentando montar uma nova versão da vida de Cristo e criando um embate com a Igreja Católica) e Amor & Restos Humanos (jovens amigos moradores do centro do Canadá vivem amores e desilusões enquanto tentam sobreviver aos ataques de um serial-killer) são exemplos de sua estética visceral de filmar, muito mais centrado nas palavras ditas que nas imagens mostradas. Seus diálogos, aparentemente, fazem todo o serviço que seria mostrado por fotografia, direção de arte e trilha sonora, enriquecendo narrativas simples até chegar ao nível do sublime.

Em 2003, seríamos testemunhas, no entanto, do seu ápice. Arcand resolveu retomar o grupo de amigos mostrados duas décadas antes em Declínio do Império Americano e, a partir de um longa feroz e ácido sobre relações amorosas, construiu sua obra-prima: As Invasões Bárbaras ganhou tudo que se poderia imaginar (Cannes, Oscar, César, Genie – prêmio máximo em seu país -, todos as associações americanas possíveis...) e consagrou o estilo despojado, mas cheio de emoção de Arcand. O mundo o descobriu então, e ao menos no Brasil sua obra foi devassada até não poder mais. Ele estava então no momento mais vulnerável, com todos os olhos voltados para si. E veio o tombo.

Poucas vezes se viu algo como em A Era da Inocência, talvez um dos maiores casos de “pior filme após vencer um Oscar” da história. Nada do que se vê na tela é reconhecível como um genuíno Arcand, a não ser o início promissor. Após os primeiros 20 minutos, o tédio se abate, dando cada vez mais a uma raiva sem tamanho por conta do lixo de material que se vê formando na tela grande. A história é simples, como sempre: Jean-Marc trabalha para o governo e não agüenta mais o vazio da própria existência. Para fugir de sua realidade chata, ele se refugia nos sonhos de grandeza que ele mesmo criou, ora se vendo como um general romano, ora como um apresentador de reality-show, sempre um garanhão cercado de mulheres belíssimas (o que não é o caso, na realidade). O ‘circo dos horrores’ de Arcand fica completo quando entendemos a natureza de seu projeto, na verdade uma boba crítica ao universo dos adoradores de culturas antigas (tais quais também jogadores de RPG e ‘nerds’ viciados em universos épicos na linha Senhor dos Anéis). É nesse momento que o filme deixa de ser chato para se tornar insuportável, quase péssimo, já que (pasmem!) Arcand se mostra preparado a dirigir uma comédia-pastelão, mudando o foco do filme totalmente e transformando-o num festival de tombos e confusões (com direito até a torta na cara) de fazer corar Renato Aragão.

Diante do péssimo quadro, é bom deixar claro o sentimento de alívio ao ver que a Academia esqueceu o desatino de indicá-lo ao Oscar e o deixou relegado ao ‘grupo dos 9’ no qual também ficou o Brasil (os países que ficaram com a vaga foram Áustria, Polônia, Rússia, Cazaquistão e Israel – veja aqui relação dos indicados). Diferente do nosso filme, no entanto, seria uma vergonha ver tamanha demonstração da absurda falta do que fazer demonstrada aqui por Arcand, um homem que, aos 66 anos, já nos demonstrou de tantas formas a riqueza e a beleza do trivial. Sabemos do que ele é capaz, e que rapidamente ele venha apagar essa horrível mancha que o assombra.

Cotação para este filme:
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