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Título do Filme: Conduta de Risco
Título Original: Michael Clayton
País de Origem: EUA
Duração: 115 Minutos
Data de Estréia: 07/12/2007
Gênero: Drama
Produtora: Warner Bros.
Distribuidora: Imagem Filmes
Direção e Roteiro: Tony Gilroy
Elenco: George Clooney, Tom Wilkinson, Tilda Swinton, Sydney Pollack, Michael O’Keefe


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francisco carbone »

rosquinhamabel@hotmail.com

» Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 2007

CONDUTA DE RISCO

Fotos: Divulgação/Imagem Filmes

Ao acabar de assistir esse filme hoje, perguntei-me: por que será que esse roteiro era tão disputado em Hollywood se já vimos esse mesmo filme tantas vezes antes? Prestem atenção, nem o filme nem seu roteiro são ruins, pelo contrário. Mas tanto foi dito sobre uma disputa de diretores, atores e produtores acerca do filme que fica difícil imaginar o motivo, depois de ver o material final. Como eu já disse, o filme não é ruim, mas de original ele não tem quase nada. Tony Gilroy, o diretor/roteirista, compõe um trabalho discreto em ambas as funções, com cara de pouca pretensão, mas rico em humanidade e personagens em bifurcações de sua existência e maneira de continuar regendo a própria. É no ‘humano’ que se concentra a riqueza de Conduta de Risco, nunca em suas situações.

Tony Gilroy não é um novato, embora seu nome não seja difundido. Ele chamou a minha atenção há tempos, quando assinou o roteiro de suspenses acima da média, como Eclipse Total e Advogado do Diabo. Mas acabou também assinando bombas inomináveis, como Armageddon, Medidas Extremas e A Isca. Em 2002, no entanto, ele parece ter encontrado a fórmula do sucesso, ao ser contratado para escrever A Identidade Bourne e entregar uma obra-prima dos roteiros de espionagem. Quando ficou decidido que o filme seria uma trilogia de fato, o nome de Gilroy sempre foi uma prioridade e ele começou a colher muitos louros merecidos. Entre esses trabalhos, ele escreveu o roteiro de Conduta de Risco, que passou a ser disputado a tapa por atores tão díspares quanto George Clooney e Tom Wilkinson. E mais: Clooney queria o pacote completo, protagonizar e dirigir. E aí que começaram os estresses, porque Gilroy tinha as reais intenções de estrear como diretor nesse momento. Tempos depois, Clooney aceitou a derrota com uma condição: queria ao menos protagonizá-lo.

A trama do filme acompanha quatro dias na vida de Michael Clayton, advogado e consultor de um dos maiores escritórios de advocacia dos EUA. Às vésperas de conseguirem realizar uma fusão que os consagraria de vez no mundo, o escritório sofre um baque: seu maior representante tem um surto psicótico e resolve denunciar as atrocidades cometidas pelo maior cliente deles, uma empresa que aparentemente ajudaria o meio ambiente (uma espécie de GreenPeace elevada à enésima potência, mostra o filme). Cansado de saber da verdade e de se manter omisso durante toda a vida, esse homem está cansado e resolve dar um basta, e tenta ajudar uma cidade vítima dessa empresa, que vem registrando aumentos de casos cancerígenos e vê seus habitantes morrerem sem nenhum tipo de ajuda. Michael é chamado para controlar a situação, do lado do homem que é um antigo mentor, e da empresa, tentando segurar as rédeas de uma fria ‘relações públicas’ da empresa. Isso tudo também em meio ao caos na sua vida pessoal, em que precisa arrumar 75 mil dólares pra salvar o irmão endividado.

Nessa trama interessante, porém datada, vemos Gilroy conseguir mostrar um trabalho crucial mais como diretor do que como roteirista, mostrando que sua insistência em dirigir tinha fundamento. Ele consegue uma atmosfera quase documental a um filme que se aprofunda em mostrar a mente de pessoas que são vistas apenas como profissionais, aparentemente. Todas elas são obsessivas em potencial (Michael é obviamente um homem que necessita de uma reviravolta na vida, com um semblante cansado; o advogado que desencadeia a trama é um maníaco-depressivo, uma bomba-relógio prestes a detonar, cheio de rancor com seu passado; a mulher responsável pela empresa revela-se muito mais ardilosa e imprevisível que sua ‘casca de gelo’ poderia prever), e o momento que o filme as mostra é quando seu mundo começa a ruir, e onde iremos conhecê-los de verdade, quando estarão em seus limites.

O trio protagonista entrega um trabalho precioso, nunca deixando o filme perder um degrau de interesse. George Clooney cada vez mais lembra Robert Redford, em comparação. Ambos bonitos, galãs, com trabalhos sólidos na frente das câmeras e talento explodindo por trás delas, ainda empregando seu prestígio em prol de produções pequenas, mas cheias de conteúdo. Tilda Swinton é uma figura emblemática desde que a vi a primeira vez, vendendo coragem em Orlando, e agora se despe de sua armadura andrógina para se transformar numa personagem digna de Meryl Streep, um castelo de camadas impressionantes, um personagem-presente pra qualquer ator, que a faz mostrar um sem-número de possibilidades. E Tom Wilkinson. Bem, a esse senhor só o aplauso descontrolado é suficiente. Toda frase dita por ele é um espetáculo incrível de se assistir; sua interpretação é um achado, o retrato da mais pura fragilidade humana e do descontrole de um homem diante do que é maior que ele: suas convicções. Os três merecem estar entre os cinco melhores do ano pela Academia, mas parece impensável que pelo menos Swinton e Wilkinson não apareçam.

Com uma estréia desse nível, o mais interessante será acompanhar o desenrolar dessa nova carreira de Tony Gilroy, talvez o mais promissor cineasta a surgir esse ano, que bebeu nas fontes certas (Steven Sorderbergh, o próprio Clooney) e fez o trabalho de casa direitinho.

Cotação para este filme:
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