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Título do Filme: Eu e as Mulheres
Título Original: In the Land of Women
País de Origem: EUA
Duração: 95 Minutos
Data de Estréia: 30/11/2007
Gênero: Drama
Produtora: Warner Brothers
Distribuidora: Focus Filmes
Direção e Roteiro: Jonathan Kasdan
Elenco: Adam Brody, Meg Ryan, Kristen Stewart, Makenzie Vega, Olympia Dukakis, Clark Gregg, Elena Anaya, Dustin Milligan, JoBeth Williams.
www.focusfilmes.com.br


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francisco carbone »

rosquinhamabel@hotmail.com

» Rio de Janeiro, 28 de novembro de 2007

EU E AS MULHERES

Fotos: Divulgação/Focus Filmes

Poucos aspectos isolados fariam alguém se interessar por mais um drama psicológico que mergulha na alma feminina com o intuito de mostrar um homem perdido no meio do furacão que é viver em meio a tantas mulheres. O diretor Jonathan Kasdan vinha de participações em seriados cômicos americanos para estrear aqui, como diretor e roteirista. Mas, como eu dizia no início, um chamariz era necessário, e ele atende pelo nome de Meg Ryan. E se vocês acham que eu pirei depois de tantos anos nutrindo a mais profunda indiferença, é porque não fazem idéia de como o filme pode decepcionar.

Mas por onde andava Meg Ryan? Pois bem, por lugar nenhum. Há mais de dois anos, quando estrearam seus dois últimos filmes, ela deve ter achado por bem desaparecer um tempo, para descanso de imagem e reciclagem. Os filmes foram tão mal de crítica e bilheteria (um deles chegou inclusive no exemplo máximo da decadência de um astro, que é ser lançado aqui no Brasil direto em vídeo, no caso Contra Tudo e Contra Todos) que Meg fez melhor em se retirar e cuidar da família por um tempo. Meg faz parte de um grupo de risco de atores e atrizes especialistas em um gênero específico, até o dia em que o tempo cobra a conta e já não há mais idade ou público que suporte a mesmice auto-imposta, pelo próprio astro, estúdios ou mesmo os fãs.

O grupo de Meg é clássico: mocinha de comédia romântica. Desde os tempos de Doris Day que vemos poucas conseguirem se livrar da maldição do tempo, que geralmente as procura por volta dos 40 anos, quando já não há mais graça ou verossimilhança em assistir uma jovem senhora suspirar por um amor não correspondido. Meg foi rainha desses filmes na virada dos anos 80/90, e deles praticamente nunca saiu (lembro de dois filmes longe do gênero, antes de sua derrocada, Quando um Homem ama uma Mulher e Coragem sob Fogo, em que ela passeia sua canastrice longe da sua praia). O preço a ser pago pela falta de talento e comodismo é esse mesmo, o ostracismo. Hoje em dia, ninguém mais quer ser uma Meg Ryan ou Sandra Bullock (e antes de acusarem Julia Roberts de ser companheira dessas senhoras, é bom lembrar que Roberts está em pelo menos três clássicos do gênero: Uma Linda Mulher, O Casamento do meu Melhor Amigo e Um Lugar chamado Notting Hill); todas as jovens atrizes querem um caminho mais aberto pra trilhar, com maior ou menor sucesso e talvez a última a se especializar no gênero talvez tenha sido Reese Witherspoon, que já se despediu dele de qualquer maneira.

Meg não conseguiu mais sobreviver nele e, pelo visto, também não fora dele. Seus últimos papéis antes de Eu e as Mulheres eram a irmã de uma vítima de serial-killer que passava a ser ameaçada, ao mesmo tempo em que vivia quentes cenas de sexo com um policial; e a vida real de uma agenciadora de lutas de boxe. Ou seja, seus parcos recursos foram unidos a material de quinta... imaginem o resultado!

Chegamos então a esse filme, um grande fracasso de bilheteria nos EUA, mas cujo nome de Ryan não é o principal. O filme gira em torno de Carter Webb, um jovem escritor que acaba de levar um fora de seu grande amor e precisa de um tempo longe de seu universo, pra descansar e pra conseguir terminar um livro autobiográfico. Ao aceitar cuidar da avó doente numa cidadezinha distante de Los Angeles, ele não imaginava se envolver com a família Hardwicke, mais precisamente com a mãe e as filhas. É aí que entra Meg, a mãe que luta pelo amor da rebelde filha adolescente (vivida pela antes masculinizada e hoje uma belíssima jovem mulher, Kristen Stewart) em meio a uma crise pessoal. O filme acompanha essas duas frentes de acontecimentos de maneira delicada e discreta, e esse talvez seja o grande problema do filme, o fato dele ter excelentes primeiros 40 minutos. E isso é um defeito a partir do momento que eles acabam, e logo depois começa o habitual festival de ‘chorumelas’: doença inesperada, amores sufocados, traições, telefonemas de arrependimento, blá blá blá. O que começou com interessantes diálogos entre o rapaz e as várias mulheres de sua vida e sua tentativa de conhecê-las e entendê-las vira o mais puro dramalhão safado, indigno de seu bom elenco. Fora Meg, todos estão bem (e o jovem ator de The OC, Adam Brody, surpreende).

Olhando de fora, dá pra sentir o pequeno sucesso que o filme deverá fazer, já que sua trama parece cair em cheio em colos femininos. Mas fica aqui uma dica: se você quer ver um ótimo filme, uma boa pedida feminina que como esse mostra a dor de se sentir sozinho no mundo, veja A Casa de Alice (e entenda porque Carla Ribas é a melhor atriz nacional do ano). Por aqui, só vale pra matar a saudade de uma velha conhecida e lamentar que um filme bem interessante tenha aceitado ser apenas medíocre.

Cotação para este filme:
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