PODECRER!
Foto: Divulgação/Paramount

Se o diretor Arthur Fontes tivesse optado por Salve Simpatia como título desse seu novo filme, teria ficado colado com as opiniões que serão dirigidas a ele. Dono de uma espontaneidade e uma veracidade de intenções que quase não são vistas no cinema nacional, o longa ousa dialogar com a galera Malhação, com signos e modismos extraídos do início dos anos 80, época em que o filme se situa. E se Fontes corre riscos com essa decisão, também tem que estar pronto para os elogios, que virão. É óbvio que foi muito fácil pra ele falar da juventude da sua geração, uma época onde a violência não estava explícita, a ingenuidade era uma característica nobre e a modernidade se resumia a algo chamado Tele-Jogo, precursor do videogame. E Fontes tem uma fontes inesgotável de público entre os jovens se quiser, ainda mais depois do sucesso do documentário Surf Adventures. O diretor tem uma clara identificação com esse universo e merece conseguir mais um êxito de público aqui.

|
|
A trama óbvia e repetida não é sua principal qualidade, mas vamos a ela: rapaz descolado líder de uma banda de rock apaixona-se por novata em seu colégio e ambos viverão as barreiras de sempre para concretizar o romance. Meninos e meninas separados em grupos, preocupações com o futuro, as separações e desentendidos típicos dos filmes do gênero, está tudo lá. Isso é positivo e negativo pro filme. O lado positivo vem justamente da simplicidade de sua obra, de facílimo acesso ao público-alvo; já o lado negativo mostra-se com a já citada repetição de situações que só podem desgastar o espectador. Mesmo assim, é difícil não se importar com os personagens, todos vividos com vigor pelo elenco (destaque para Gregório Duvivier, como o abilolado Marquinhos). Outro aspecto divertido: obviamente o elenco tem pelo menos cinco anos a mais do que seus personagens. Será que foi proposital ou será que bons atores só foram encontrados nessa faixa etária? Sendo como for, é bom repetir que nada disso tira a graça do filme.
Fontes parece cada vez mais seguro na direção e brevemente poderá tentar vôos mais arriscados. Enquanto isso, aproxima ainda mais sua lente de um universo nunca respeitado pelo cinema nacional e que faz parte do grosso do público de cinema hoje em dia: o adolescente. O prestígio que ele vem dando a eles só mostra como precisamos também dar mais atenção a essa faixa que só faz crescer, é atuante e está disposta a se ver retratada.
Infelizmente, diante de tantas idéias alheias, não nos resta muito além de simpatizar muito com o filme, mas não o consagrar sem restrições. Faltou ousadia a Fontes na montagem e no requinte do roteiro, o q tornam o filme extremamente agradável, e não muito mais que isso. Na verdade, a impressão que fica é que o próprio filme não queria muita consagração, mas ter a simpatia como fenômeno a arrastar o filme até as multidões. Na parte técnica, a louvar a fotografia adequada, que faz perfeito ajuste com as imagens de arquivo da época. No fim, parece tudo realmente contemporâneo.
As participações especiais (obviamente afetivas) também dão um brilho extra ao filme, e Malu Mader, José de Abreu, Patrícia Travassos, Stepan Nercessian e Lulu Santos estão muito bem. A trilha da época, que vai de Rita Lee a Tim Maia passando por todo o fim da era disco, também reflete o cuidado da produção em detalhes que todos fazem questão de deixar do jeito que está, apenas como detalhes.
Enfim, vale a pena sair de casa para se divertir com Podecrer!, um filme que pode abrir a porta para vários outros do gênero aparecerem. E que venham outros exemplares da típica adolescência brasileira pelo cinema.
Cotação para este filme:
.....................................................................................................................................................

| Cinema | Ir para todas as Críticas | Capa |