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Título do Filme: Instinto Secreto
Título Original: Mr. Brooks
País de Origem: EUA
Duração: 115 Minutos
Data da Estréia: 14/09/2007
Gênero: Suspense/Policial
Produtora: MGM
Distribuidora: Flashstar
Direção: Bruce A Evans
Roteiro: Bruce A Evans & Raynold Gideon
Elenco: Kevin Costner, Demi Moore, William Hurt, Dane Cook, Marg Helgenberg.


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francisco carbone »

rosquinhamabel@hotmail.com

» Rio de Janeiro, 13 de setembro de 2007

Instinto Secreto

Foto: Divulgação

Alguns atores não dão sorte, por mais que tentem melhorar. Fomos acostumados a ver fenômenos de administração de carreiras próprias, como Will Smith, Kate Winslet, Jack Nicholson, Meryl Streep, Leonardo DiCaprio. Todos em plena consciência de seus talentos, e de sua capacidade de atrair multidões... ou não. Certas pessoas, por mais carismáticas que sejam, mais simpatia possam atrair, vivem aos tropeços (quando já não caíram de vez). Pessoas como Hilary Swank (que nem parece ter dois Oscars, tão mal são seus critérios de escolha de projetos), Ben Affleck, Julianne Moore (que parece só agora ameaçar sair de uma fase negra de filmes ruins), Cuba Gooding Jr., Helen Hunt... ou Kevin Costner e Demi Moore.

O pior é que, dessa vez, a culpa nem é especialmente deles. Por anos e anos vimos Kevin Costner enterrar os Oscars conquistados por Dança com Lobos e o sucesso obtido por JFK, O Guarda-Costas, Robin Hood, Os Intocáveis, entre outros, em lixos do nível de Waterworld, O Mensageiro, Wyatt Earp. Agora, começa a reconquistar o sucesso em longas como Pacto de Justiça e A Outra Face da Raiva. Enquanto isso, Demi Moore seguia trajetória semelhante, vendo sua estrela explodir em Ghost e se manter em sucessos como Questão de Honra, Proposta Indecente e A Jurada. Mas também caiu em desgraça com desastres como A Letra Escarlate, Até o Limite da Honra e no trash supremo Striptease. Também vinha em escalada ascendente, graças a As Panteras Detonando. E agora se metem em Instinto Secreto, simplesmente uma bomba.

Vemos no longa algo parecido com a vida do bem sucedido empresário Earl Brooks, um homem de negócios e chefe de uma família abastada e aparentemente feliz. Ao vermos o Sr. Brooks (título original do filme) conversar com sua ‘consciência’, nada de mal notamos. A não ser quando é percebido que sua ‘consciência’ o leva a fazer coisas que ele não deseja, a princípio... como voltar a matar. Depois que é revelada a face serial-killer do protagonista, também somos apresentados à sua antagonista, a policial Tracy Atwood, uma mulher firme e excelente em seu ofício, com um divórcio complicado em andamento, e que não precisava ‘proteger e servir’, já que é a herdeira da fortuna do seu pai. Os caminhos dos personagens obviamente vão convergir quando Brooks voltar a matar, e Atwood voltar a investigar o “Assassino das Impressões Digitais”, como ele é conhecido.

Na sinopse, tudo são flores. O roteiro, por sua vez, talvez seja um dos piores do ano (e olha que estamos falando de um ano que já nos trouxe os roteiros de Motoqueiro Fantasma, Miss Potter, Sangue & Chocolate...), que desaparece com personagens, cria situações que não sabe esclarecer, ou seja, amador mesmo. Além de cometer dois crimes bárbaros: colocar alguém como William Hurt como a consciência de Costner, obrigando alguém do seu nível a passar por cenas constrangedoras; e ter a audácia de querer ser uma raspa de O Silêncio dos Inocentes. Acredite: dá pena da pretensão. Além disso, cada personagem tem ao menos três problemas pra resolver (ex: Demi está se divorciando de um traste, precisa resolver os crimes do “Assassino das Digitais” com pressa, surge um novo caso de crimes numa faculdade que ela também pega e passa por uma fase ruim também no departamento de polícia), é assim com todos os personagens. Em dado momento, os problemas se embaralham, e é um salve-se quem puder, já que a maioria acaba sendo jogada para baixo do tapete. Ou seja, típica solução de filme vagabundo. E com roteiro ruim, nem Martin Scorsese salvaria... imaginem Bruce A. Evans...

No fim das contas, a grande surpresa: não é que Demi e Costner impedem o desastre absoluto? É óbvio, a bomba continua intacta, mas por causa deles continuamos assistindo ao filme com algum interesse. Em especial Costner, que em suas crises e tortura mental está particularmente bem. Pena que é pouco pra salvar produção tão equivocada. Literalmente, são pérolas jogadas aos porcos.

Cotação para este filme:
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