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Título do Filme: Fido, o Mascote
Título Original: Fido
País de Origem: Canadá
Duração: 85 Minutos
Data de Estréia: 14/09/2007
Gênero: Comédia (Humor Negro)
Produtora: LionsGate
Distribuidora: Paris Filmes
Roteiro: Andrew Currie, Robert Schomiak & Dennis Heaton
Direção: Andrew Currie
Elenco: Carrie-Anne Moss, Billy Connolly, Dylan Baker, K’Sun Ray, Tim Blake Nelson, Henry Czerny.


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francisco carbone »

rosquinhamabel@hotmail.com

» Rio de Janeiro, 13 de setembro de 2007

Fido, o Mascote

Foto: Divulgação / Paris Filmes

Nos dias de hoje, depois de toda a comoção mundial em relação ao ataque às Torres Gêmeas e também agora que a poeira abaixou, começam a aparecer os primeiros sintomas de como talvez possamos nunca mais voltar ao que era antes. E o sintoma mais grave e injusto é a xenofobia, que cresce a olhos vistos em muitas partes do mundo. É focando nesse tema bizarro que, por incrível que pareça, Fido consegue divertir e muito; mesmo que o tom abordado não incite isso. O filme é estranhamente leve, utilizando várias seqüências fortes de uma maneira que não chega a chocar (e no filme, há um grupo de crianças que participam de algumas dessas cenas). O filme ultrapassa todos os limites de ser metáfora da sociedade atual, quase nomeando os ‘personagens’ do filme realmente como latinos/árabes/minorias em geral.

A trama é a seguinte: numa realidade parecida com o universo dos anos 50, houve uma guerra entre seres humanos e mortos renascidos das trevas. Logo, um cientista criou uma espécie de solução aos problemas: como ninguém conseguia se livrar dos chamados ‘zumbis’, uma espécie de colar/algema seria acoplado a cada zumbi, e assim eles poderiam ser adestrados. Tudo isso é mostrado num flash-back espertíssimo, como se fosse uma reportagem de TV (recurso utilizado com freqüência no filme), e a situação atual mostra os zumbis fazendo todo tipo de serviço terceirizado: entregadores de jornal e leite, todo tipo de serviçais, como garis e por aí vai. Quando o filme centra o foco numa família “à moda antiga” (ou seja, que ainda não tem a ‘mordomia’ de um zumbi próprio) que resolve se modernizar aderindo aos ‘novos hábitos’, vamos acompanhar o nascimento da amizade entre o filho pequeno dessa família e o novo empregado, mesmo que para isso ele precise esconder o corpo de uma senhora que o zumbi devorou ‘sem querer’ (a tal algema tem um sistema de controle remoto, por onde podemos aplicar choques nos zumbis caso desobedeçam; é isso que causa sua obediência). Uma hora, no entanto, essa “nova ordem mundial” será alterada, e o destino dos personagens do filme pode ser trágico... se não acabar sendo cômico.

O filme é extremamente envolvente e a trama sabe como prender a atenção de forma definitiva. Em dado momento, a mãe da família (vivida por uma Carrie-Anne Moss que nem de longe lembra a bravura de Trinity da série Matrix) começa a embarcar numa paixão por Fido, que afinal está morto. Tudo isso faz que a experiência de assistir o filme seja das mais prazerosas. Pena que o diretor Andrew Currie seja muito preguiçoso e a montagem vá se mostrando cada vez mais falha enquanto ocorre a projeção, chegando ao cúmulo de embolar as cenas finais, deixando-as quase sem sentido. O roteiro esperto, à primeira vista, também vacila vez por outra, e o elenco é cheio de altos e baixos.

Algo que precisa ser ressaltado, apesar disso, é a parte técnica muito bem orquestrada, com figurinos e cenários que dão um charme todo especial ao filme. A divertida trilha sonora também garante bons momentos. No fim das contas fica a pena de saber que poderiam ter produzido algo bem melhor, e ferramentas pra isso tinham... talvez tenha faltado experiência, mas nunca empenho.

No fim, acaba valendo como um passatempo despretensioso, mas que nunca esquece sua mensagem de repúdio a qualquer tipo de preconceito, seja ele social ou étnico. Ou mesmo a zumbis.

Cotação para este filme:
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