Inimigos do Império
Foto: Divulgação/Imagem Film
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Lembro, como se fosse hoje, quando o mundo ocidentalizado se surpreendeu durante o Festival de Cannes de 2000, após uma produção ‘taiwanesa’ conquistar o público presente, mesmo fora de competição. O diretor era Ang Lee, e o filme era O Tigre e o Dragão. O Ocidente era apresentado a um gênero que a cultura oriental tinha criado e mantido dentro de seus domínios desde sempre, o capa e espada deles, longas recheados de artes marciais, mas sempre com pano de fundo político e romântico. O que se viu depois foi a consagração ao redor do globo, que culminou em quatro estatuetas do Oscar, 2 Globos de Ouro e muitos prêmios da crítica especializada. E isso era só o começo.
Logo após isso, veio o ‘estouro da boiada’. Todo e qualquer longa com pretensão artística oriental foi lançado em solos estrangeiros visando tornar-se um novo fenômeno. Então, o merecidamente consagrado diretor Zhang Yimou, especialista em longas intimistas e influenciador direto da minha veia cinéfila em longas como Amor e Sedução, O Sorgo Vermelho e o seu clássico Lanternas Vermelhas, se jogou no gênero, lançando não somente um, mas dois filmes: Herói e O Clã das Adagas Voadoras. As bilheterias correspondiam e cada vez mais filmes de procedência duvidosa chegavam com a intenção de capitalizar alguma atenção. Nesse momento, veio o fastio do gênero.
Mas isso não impede de, vez por outra, uma produção realmente interessante dê as caras. É o caso de Inimigos do Império, dirigido por Xiaogang Feng, que assume inclusive no roteiro o fato de ser adaptado de nada menos que Hamlet, uma das grandes obras escritas pelo imortal William Shakespeare. E isso acaba se mostrando um acerto e também uma ‘amarra’ difícil de lidar.
A trama é inspirada livremente na obra, mas está lá o filho que precisa lidar com o pai morto, sabendo que é o único herdeiro, as intrigas palacianas (todas ambientadas em solo oriental), mas alguns pontos que convergem: a mulher do rei é sua madrasta aqui, e não mãe, o que permite que eles tenham um caso. A mulher que, assim como na obra original, está de casamento marcado com o cunhado é ardilosa e trama um fim para esse homem, em que possa ser feliz ao lado do enteado. O banquete do título original então é preparado, onde tudo será revelado e um banho de sangue será preparado.
As cenas de ação e lutas coreografadas continuam fascinantes, e a parte técnica do filme é invejável. Enquanto a direção de arte de Tim Yip nos transporta para o universo tão retratado ultimamente ainda de forma original, a trilha sonora de Tan Dun é simplesmente perfeita, talvez a melhor trilha sonora do ano, um trabalho impecável, digno de uma orquestra.
O elenco é puxado por Zhang Ziyi, impecável como a embaixatriz mais perigosa vista em muito tempo no cinema, e Daniel Wu está no mesmo nível dela. Qual então o grande problema do filme? Grande, nenhum. Mas talvez o mercado esteja realmente saturado do formato, num mito de cenas que já não são mais necessariamente originais. Isso, aliado a alguns furos de um roteiro confuso, elevam Inimigos do Império a condição de grande diversão somente. Com uma produção requintadíssima e prendendo a atenção? Sim, mas apenas diversão.
Cotação para este filme:
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