Encontros ao Acaso
Foto: Divulgação/Walt Disney
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Qual a diferença entre as ‘atrizes’ Renée Zellweger e Joey Lauren Adams? Pra muita gente, nenhuma. Ambas tão loiras, com a voz tão esganiçada e de talento tão reduzido, são geralmente confundidas, mas o mundo já mandou avisar que só suporta uma delas, e por isso Adams nunca teve vez. Ambas também têm mais um ponto em comum: o fato de terem tido apenas um momento de brilho genuíno em suas carreiras (Renée em A Enfermeira Betty; Joey em Procura-se Amy). De tanto tentar uma fama que nunca veio, ela acabou migrando seu foco para trás das câmeras, conseguindo assim o que pode ser um alerta a Renée e tantas outras pseudo-atrizes que insistem em nos afligir com sua presença. Adams, com a direção de Encontros ao Acaso, consegue um nível de personalidade que nem em seu melhor momento como atriz atingiu.
A trama é simples: Lucy Fowler é uma mulher do sul dos EUA que tem uma vida um tanto quanto vazia e triste. Seus dias se resumem a trabalhar numa construtora e esperar pelo fim-de-semana, quando joga bilhar e enche a cara no bar, à espera do primeiro homem que a leve a um motel. Depois de transar, ela levanta e vai embora, tornando-se cada vez mais amarga e reticente aos homens que ela mesma procura. Seu relacionamento familiar é péssimo e seu pai é um alcoólatra que largou sua mãe por outra qualquer. O quadro não é dos melhores para Lucy, até aparecer Cal, um forasteiro que se interessa por ela de maneira incondicional. Cansada de agir da mesma forma, Lucy parece se envolver com Cal, em busca de uma felicidade que ela nem sabia que existia.
A quantidade enorme de belas mensagens que o filme passa, faz-nos refletir sobre nós mesmos, já que a principal delas é a aquela óbvia: “pra poder amar alguém, precisamos amar-nos antes”. É isso que a personagem principal nunca sentiu por ela mesma, e aí vamos vendo seu sofrimento e angústia entrarem em conflito com uma vontade absurda de ser feliz que nasce dentro dela. Ela tenta fazer as pazes com seu passado, com seu pai, consigo mesma.
Infelizmente, pra isso tudo, seria necessário uma grande atriz, coisa que Ashley Judd talvez nunca será. Sua artificialidade afetada, sua eterna cara de atrevida, seu sorriso constante, contrastam com toda a fragilidade que a personagem deveria querer esconder. Mas Judd é fraca demais pra absorver tantas camadas de sentimentos, e, se não está pior, é por que tem familiaridade com o universo (como a personagem, ela também é sulista). O resto do elenco não tem muito a fazer, já que a personagem principal é praticamente o único foco. De qualquer forma, Scott Wilson consegue humanidade como o pai de Lucy.
Ao final de tudo, o esforço da nova diretora/roteirista se sobressai, porque nem Judd consegue desfazer um trabalho consistente de roteiro. A ambientação country também foi de extrema valia, situando o filme num contexto que permitiu embarcar na emoção que esse tipo de música liberta. O desfecho só vem abrilhantar um filme simpático, uma estréia mais que promissora de uma jovem que nunca viu seu nome estampar grandes letreiros, mas que pode começar a sonhar com um futuro de mais talento, ao menos.
Cotação para este filme:
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