» FICHA TÉCNICA |



ARQUIVOS:
» Todas as críticas deste autor [+]

» Críticas de outros autores [+]


 
francisco carbone »

rosquinhamabel@hotmail.com

» Rio de Janeiro, 14 de dezembro de 2007

Foto: Divulgação

Ousadíssimo

24|08|07 • O diretor Jafar Panahi está de volta. Depois de nos presentear com várias obras-primas, conquistar o mundo inteiro com seus poderosos longas sobre a condição da mulher no Irã de hoje e jogar com a metalinguagem no cinema, Panahi está de volta após mais de cinco anos sem lançar nada no Brasil com um filme leve, levemente cômico (assim como seu colega de profissão, Lars Von Trier), chamado Fora de Jogo, que ano passado dividiu com o dinamarquês Além do Desejo o Grande Prêmio do Júri (espécie de segundo lugar) do Festival de Berlim.

Panahi nunca teve o lugar que merece no cinema iraniano atual, vendo seu espaço de direito ser dominado por outros dois mestres, Abbas Kiarostami e Mohsen Makhmalbaf. Assim que ele apareceu, causando impacto com a Câmera D’Or em Cannes por O Balão Branco (prêmio destinado no festival a novos diretores), ele mostrou a que veio, instigando o público com a história de uma criança voluntariosa em meio à pobreza de seu país, num filme roteirizado pelo próprio Kiarostami. O longa seguinte provaria que Panahi não estava mesmo pra brincadeira, quando ele voltou à sua pequena protagonista no longa anterior e fazia uma brincadeira com ela e também com a magia do cinema em seu melhor longa até hoje, O Espelho. Em 2000, veio a consagração absoluta, quando levou o Leão de Ouro em Veneza por O Círculo, filme-denúncia sobre a dura realidade das mulheres iranianas e sua opressão esmagadora.

Em seu quarto filme a estrear no Brasil (ele tem outros 7 títulos inéditos entre nós), mais uma vez critica a questão feminina no Irã, e vai além: Panahi dá uma aula de ousadia em se tratando de um país tão opressor como o dele. Aqui, vemos a luta de um grupo de mulheres que não se conhecem, mas tem um sonho em comum: assistir a um jogo de futebol ao vivo, prática proibida às mulheres de lá. Durante o filme, várias delas serão presas e impedidas de assistir à partida, e é nessa situação-limite entre guardas e jovens presas que o filme se encaixará durante seu desenrolar.

Nessa jornada, levada com um tom surpreendentemente leve, ele passeia mais uma vez por um universo tão absurdo pra nós e tão comum a ele. Personagens muito bem construídas no roteiro e defendidas pelas jovens atrizes não-profissionais (um hábito em filmes iranianos) conquistam-nos de cara, como a jovem que é caçada pelo pai e pelos irmãos, e a fugitiva que consegue escapar para assistir ao jogo, mas volta por pena do castigo que será aplicado ao soldado que a prendeu. Some-se a isso jogos de câmera dos mais criativos (como a cena em que assistimos lances do jogo através da janela de uma van, junto com as protagonistas) e fica claro que Jafar está mais que consciente de sua condição de autor.

O lado polêmico assumido pelo diretor se manifesta em duas personagens nitidamente lésbicas mostradas pelo filme, e uma cena de insinuação homossexual também escancarada, além de mostrar homens compreendendo a situação feminina por lá e fazendo todo o possível pra mudar ao menos o que está próximo de nós, o que deixa claro o grande amadurecimento do diretor como artista e talvez do próprio Irã, que há tempos atrás proibiria esse filme mesmo de existir. O diretor, por sua vez, segue sua carreira de maneira invejável, provando que existe diversão também fora dos EUA e Europa, e nos entregando um produto de primeiríssima qualidade, outro casamento feliz entre risos e inteligência, mais um filme que merece estar nas listas de melhores de 2007 no fim do ano.

Detalhe: reparem na quantidade infindável de vezes que as camisas da seleção brasileira aparecem no filme, todas do “Fenômeno” Ronaldo.
http://www.imdb.com/gallery/ss/0499537

Ficha Técnica:
Título no Brasil: Fora de Jogo
Título Original: Offside
País de Origem: Irã
Gênero: Drama / Comédia
Classificação Etária: 14 Anos
Tempo de Duração: 90 Minutos
Tipo: Longa-Metragem / Colorido
Ano de Lançamento: 2006
Estréia no Brasil: 24/08/2007
Estúdio: Jafar Panahi Films Productions
Distribuição: Imovision
Direção: Jafar Panahi
Produção: Jafar Panahi
Elenco: Sima Mobarak-Shahi, Shayesteh Irani, Ayda Sadeqi, Safdar Samandar, Golnaz Farmani, Mohammad Kheir-Abadi, Masoud Kheymeh-Kabood.

Cotação para este filme:


Voltar
................................................................................................................

O Pequeno Italiano

Rio de Janeiro, 24 de agosto de 2007

Foto: Divulgação

Um grande sucesso, nesse início do ano, nos EUA, onde foi eleito um dos 10 melhores lançamentos do primeiro semestre. Esse longa russo (uma vez que de 'italiano' só há o título e o apelido do protagonista) não é, na verdade, tão excepcional assim, mas apenas aquela velha história conhecida nossa, cujo sofrimento infantil acaba fazendo tantos corações de espectadores apertarem. De qualquer maneira, é um 'feijão-com-arroz' muito bem feito, na medida para nos entreter e fazer torcer pelo pequeno tão destemido.

Acompanhamos sua saga: um menino criado num orfanato na Rússia, que desperta interesse de adoção em um casal italiano (daí seu apelido). Como tinha visto uma mãe arrependida voltar atrás da adoção de um amigo seu, o pequeno Vanya sai em busca da sua antes que ele seja o próximo a perder a oportunidade de voltar a viver com sua mãe biológica. Atravessando o país, vai contar com a ajuda de várias pessoas no caminho, enquanto foge da responsável pela adoção, constantemente em seu encalço.

A doçura do menino e sua obstinação conquistam-nos de cara e nos fazem esquecer que estamos diante de um produto já testado e aprovado tantas outras vezes, mas cujo resultado sempre nos agrada. Reparem como em dado momento o filme parece se transformar numa versão russa do sucesso "Esqueceram de Mim", com o protagonista sendo caçado por um aprendiz de vilão muito trapalhão que só se dá mal.

A boa trilha sonora e a excelente direção de arte dão o complemento final a um filme que com certeza irá agradar muita gente, mesmo que no fundo saibamos que em breve, mais uma vez, estaremos assistindo a algo parecido.

Cotação para este filme:


Voltar
................................................................................................................

O Grande Chefe

Rio de Janeiro, 24 de agosto de 2007

Foto: Divulgação

Lars Von Trier sempre foi o típico cineasta "ame-o ou odeie-o". Seus filmes, de dramaticidade muito forte, sempre encontraram tantos detratores quanto admiradores, mas, ao contrário de outros grandes autores, suas obras são de fácil compreensão. E, por mais que o apedrejem, mesmo os detratores conseguem ver como seus temas acabam mexendo com o público e trazendo saudáveis discussões em torno das decisões de seus 'heróis e heroínas'.

Um olhar atento, mesmo entre os que não aprovam seus métodos de dirigir, é que uma constante se faz presente entre seus personagens: a necessidade do disfarce. Sejam mentiras levianas (Os Idiotas), reais trocas de identidade (a obra-prima Dogville) ou verdadeiras abnegações de personalidade (o impactante Ondas do Destino). O tema é recorrente em se tratando desse dinamarquês. E encontra voz máxima nesse seu novo trabalho.

Em O Grande Chefe, o dono de uma empresa contrata um ator para se passar por ele durante a venda da mesma, já que ninguém entre seus funcionários sabe de sua real identidade, nutrindo por ele um carinho de colega (que ele gosta de manter por carência afetiva). Os problemas começam quando o grande canastrão contratado por ele toma gosto pela brincadeira, começa a agir como um real proprietário e ameaça impedir a venda em prol dos funcionários, que já o vêem como um patrão exemplar, justamente a imagem contrária que tinham.

A premissa, a princípio simples, esconde um jogo cênico excelente para o elenco, sem nunca deixar de ser engraçadíssimo. Trier, com direção e roteiro afiados como sempre, nos oferece um filme fácil, com camadas inspiradas, que só serão percebidas caso necessário, porque o filme funciona perfeitamente como diversão escapista também.

Os atores Jens Albinus e Peter Gantzler (o ator e o dono da empresa) estão brilhantes e divertidíssimos, fazendo contrapontos um ao outro, assim como todo o elenco. Trier consegue mais uma vez uma grande obra. Desde já, um dos melhores e mais divertidos filmes do ano. O Grande Chefe, além de tudo, oferece-nos o material essencial que poucas vezes dá as caras no cinema: a união da inteligência com a diversão.

Cotação para este filme:

....

up | Cinema | Ir para todas as Críticas | Capa


   
Crônicas Cariocas® - 2006/2007
Matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores
» Outros Canais | 2 Dedos de Prosa | Artes das Ruas | Caderno de Cultura | Cultura: Agenda | Cultura: Eventos | Cultura: Meu Clássico Favorito | Cinema | Cinema Falado | Cinemão | Cinematógrafo | Respirando Cinema | TelaGrande | Festival do rio 2007 | Contos | Contos de Terror! | Convidado Especial | Copa 2014 | Cristo Redentor | CrônicasTur | Dicas de Português | Editorial | Entrevistas | Esportes & Saúde | HQ's | Literatura | Meu Bairro | Música | Música & Voz - Tatiane Vidal | Pan2007 | Poesias | Reportagens | RsRsRs | Crônicas Sociais | Oise | O Que Estou Lendo | O Rio em P&B |
 
PARCERIAS