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Francci Lunguinho
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Festival do Rio 2007
Coberturas

O Homem Que Desafiou o Diabo - O cinema brasileiro está com tudo e não está prosa. Volta e meia, nesta nona edição do Festival do Rio, deparamos com as salas abarrotadas – como foi no caso de Tropa de Elite, de José Padilha, que abriu o festival, e Nome Próprio, de Murilo Salles – para assistir aos filmes nacionais. Na terça-feira, 25, foi a vez do de Moacyr Góes, “O Homem que Desafiou o Diabo”, encher a sala do cine Odeon, numa sessão bastante concorrida em que até cadeiras extras foram colocadas para acomodar o público. O longa é uma adaptação livre de Moacyr para o romance “As Pelejas de Ojuara”, do norte-rio-grandense Nei Lopes de Castro, com estréia nos cinemas nesta sexta-feira, dia 28.

Antes do início da sessão, Moacyr Góis agradeceu aos produtores Luis Carlos e Lucy Barreto, ao elenco e ao irmão Leon Góis, irreconhecível, mas formidável, na pele do Corcunda. Mas, para não dizer que tudo nesta pré-estréia foi perfeito, houve quem reclamasse da organização do festival por permitir a superlotação. Inclusive, alguns famosos ficaram sem lugar para sentar e resolveram ir para casa mais cedo. Porém, outros menos estressados, mesmo tendo ficado em pé, permaneceram até o fim.

José Araújo (Marcos Palmeira) é um caixeiro-viajante, mulherengo, que chega à cidade de Jardim dos Caiacós onde conhece “Turco” (Renato Consorte), dono de armazém e pai da balzaquiana fogosa Dualiba, vivida pela sempre competente Lívia Falcão. Ao se conhecerem, o caixeiro desflora a filha virgem do comerciante turco e é forçado a casar-se para reparar os danos. Após viver anos de humilhação e mangação, Araújo se revolta e vira o valentão da cidade. Destrói o armazém do sogro explorador, dá uma surra na mulher e se transforma em Ojuara – Araújo ao contrário -, o nordestino aventureiro, de espírito livre, que sai sertão adentro para encontrar a cidade de São Saruê, onde o leite escorre dos rios e os morros são feitos de rapadura. Com este enredo Moacyr consegue fazer um filme engraçado, ágil e de fino humor, embora, em alguns momentos, abuse dos clichês e palavrões. Moacyr foi buscar inspiração em sucessos como “O Auto da Compadecida” e "Lisbela e o Prisioneiro”, ambos dirigidos por Guel Arraes, onde o herói-protagonista vive peripécias por um Nordeste caricaturado, com tipos populares e referenciado na literatura de cordel.
O elenco é primoroso, as cenas são marcantes e a direção é competente. Entre os destaques do filme estão: Marcos Palmeira no papel de José Araújo/Ojuara; o estreante Hélder Vasconcelos (ele é mais conhecido como um dos integrantes da banda Mestre Ambrósio), como Cão Miúdo; Antonio Pitanga, como Preto Velho, e Fernanda Paes Leme, como Genifer. Outro que merece elogio é Otto, que vive o valentão Zé Tabacão. A participação do comediante Lúcio Mauro é pequena, mas o suficiente para arrancar gargalhadas do público. NOTA 8,0.
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