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Filme: Batman – O Cavaleiro das Trevas
Original: The Dark Knight
Idioma: EUA / 2008
Duração: 152 minutos
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan e Jonathan Nolan
Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Michael Caine, Aaron Eckhart, Maggie Gyllenhaal, Morgan Freeman, Gary Oldman. 152 minutos.
Data de Estréia: 18/07/2008

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» RIO DE JANEIRO, 16 de julho DE 2008

Batman, Coringa e Duas-Caras: os verdadeiros

Fotos: Divulgação

Em março de 1986, o hoje diretor de cinema Frank Miller publicou aquela que, na minha opinião, é a sua obra-prima: O Cavaleiro das Trevas. Nela, Miller conta a história de um Batman cinqüentão, aposentado por força das circunstâncias e marcado por tragédias pessoais. Por conta de uma Gotham dominada pelo crime e por sua obsessão pela justiça, ele resolve vestir a fantasia novamente. Mas é um Batman violento, sombrio, obcecado e que não perdoa criminoso algum. Procura, sempre, não matar, mas não se importa em deixar alguns braços e pernas quebrados pelo caminho.

Miller deflagra um fenômeno estupendo com esta HQ, dando uma nova força à arte quadrinhística, que estava em baixa, e resgatando o personagem do ostracismo em que se encontrava por causa do seriado cômico dos anos 60. Não só isso, fez que Hollywood, mais uma vez, voltasse sua atenção ao gênero. Por conta disso, tornou-se possível, em 1989, a película que originou todo o boom de produções desse tipo que começou nos anos 90 e chega à maturidade nos dias de hoje: Batman, dirigido por Tim Burton.

O filme tinha tudo para dar certo: era sinistro, sombrio e opressor. A atmosfera era perfeita. Todo aquele estilo gótico de Tim Burton. Danny Elfman compôs uma trilha sonora inesquecível. Porém, o roteiro foi, no mínimo, equivocado, pois deixou de lado aspectos importantes da mitologia do personagem, como sua situação quase psicótica, sua obsessão em combater o crime, chegando ao ponto de quase ultrapassar a linha que o separa dos vilões que combate. Além disso, personagens importantes na mitologia do Batman ficaram sem profundidade, como James Gordon, policial incorruptível que luta contra a sujeira na força policial e se torna um dos principais aliados do vigilante; Bruce Wayne deixou de ser um playboy para se tornar um milionário excêntrico e abobado. O protagonista, interpretado por Michael Keaton, era baixo, calvo e não gozava da menor semelhança com o milionário Bruce Wayne. Jack Nicholson, apesar do porte avantajado para o papel de Coringa, estava excelente, mas não interpretou o verdadeiro Coringa, apenas uma versão bem mais fraca. Um trabalho memorável, mas o personagem errado.

"Batman - A Piada Mortal, de Frank Miller"

Tim Burton ainda fez mais um filme com o personagem, apenas razoável. E então, veio Joel Schumacher, que conseguiu equivocar-se totalmente com o personagem, uma vez que, para ele, tudo o que o herói precisava era de duas sessões de terapia para se tornar um sorridente herói. Seus dois filmes, além de não consertarem os erros dos filmes de Burton, simplesmente ignoraram os acertos. O que Joel Schumacher fez foi uma reedição milionária do seriado dos anos 60, demonstrando, de forma inconteste, como não deve ser uma adaptação de quadrinhos para as telas e condenando a franquia ao limbo por um bom tempo: precisos 8 anos.

Veio então o ano de 2005 e com ele um novo filme do cavaleiro das trevas, Batman Begins, desta vez pelas mãos do diretor Christopher Nolan, que fez uma das melhores adaptações de quadrinhos de todos os tempos. Muito da mitologia do personagem é misturada e colocada para funcionar em conjunto. O filme é fiel ao mito, ou seja, o Batman de Nolan é obcecado, soturno, violento. Suas dúvidas quase o levaram a um caminho sem volta, mas, como um verdadeiro herói, conseguiu retornar melhor. O mito foi finalmente adaptado.

Agora, em 2008, Nolan traz a continuação da franquia, com o melhor nome possível: Batman – O Cavaleiro das Trevas. Durante muito tempo, pudemos acompanhar toda a campanha viral e criar enormes expectativas em relação ao filme. A cada trailer, pôster, banner ou menção, a expectativa aumentava e sempre para melhor. Pois, preparem-se! O filme supera quaisquer expectativas. É, simplesmente, a melhor adaptação de quadrinhos que já vi em minha vida e, com certeza, um dos melhores filmes que já vi de qualquer gênero. O melhor que vi este ano. E olha que tivemos Indiana Jones, Sweeney Todd, American Gangster e Homem de Ferro.

O elenco é formidável. Christian Bale, Michael Caine, Morgan Freeman, Gary Oldman e Cillian Murphy retornam aos seus papéis, todos muito bem. Maggie Gyllenhaaal substitui a insossa Katie Holmes no papel de Rachel Dawes, dando-a mais consistência. Como se não fosse suficiente, temos a adição de Aaron Eckhart, perfeito como o promotor Harvey Dent, futuro vilão Duas-Caras e, claro, Heath Ledger na melhor atuação da sua curta vida. Assistir ao seu trabalho como Coringa é uma celebração à arte de atuar, mas dá uma tristeza enorme por causa da sua inesperada e estúpida perda. É o Coringa que qualquer fã gostaria de ver, uma figura que causa arrepios e apreensão a cada aparição. Um trabalho maravilhoso que merece todos os prêmios possíveis, inclusive aquele homenzinho dourado da Academia.

"Heath Ledger na melhor atuação da sua curta vida"

O roteiro é impecável. Construído em torno de Harvey Dent, o Cavaleiro Branco de Gotham, mas sem esquecer que é um filme do Batman. Aliás, a construção do personagem é de uma grandeza poucas vezes vista. Seu caminho até se tornar o vilão Duas-Caras é muito bem trabalhado, melhor até que nos quadrinhos. Em essência, é o mesmo personagem, mas sua definição ficou melhor no filme. O roteiro tem excelentes reviravoltas, situações inesperadas e explicações críveis. E o melhor de tudo: nunca é confuso.

O filme é um show de técnica. Efeitos especiais, figurino, arte, roteiro, música, fotografia, montagem e atuações magistrais. Christopher Nolan realmente fez um trabalho impecável e merece todos os louros. Não esqueceu as referências, inúmeras, por sinal, fazendo, inclusive, uma homenagem/brincadeira ao primeiro filme do Batman de Tim Burton e com o Coringa daquele filme.

Foi um grande prazer fazer esta cabine de imprensa, mas verei de novo na telona, se bobear, mais de uma vez. O filme não sai da cabeça e não dá para esperar o lançamento do DVD para revê-lo. Mas, atenção! Não é filme para crianças. Não levarei meu filho de cinco anos para vê-lo. É ainda mais sombrio e violento do que eu esperava, embora nada seja gratuito.

Vale a pena ver o DVD, já nas locadoras, Batman – O Cavaleiro de Gotham, que traz seis histórias em animação que fazem a ponte entre o primeiro e o segundo filmes de Nolan. Não é indispensável, mas é bem legal.


Cotação para este filme:
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