NOSTALGIA ATUAL!
Foto: Paramount

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal estréia, mundialmente, no dia 22 de maio de 2008. Amanhã! Aproveitei o final de semana passado para rever os três primeiros filmes: Caçadores da Arca Perdida, de 1981; Indiana Jones e o Templo da Perdição, de 1984; e Indiana Jones e a Última Cruzada, de 1989.
Quando o primeiro foi lançado, eu tinha apenas nove anos. Naquela época, não havia a quantidade de salas que há hoje. Meu pai levou-me para assistir e, se não me falha a memória, no Odeon, com aquele telão maravilhoso. Imaginem: um menino assistindo a Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida numa sala enorme, cheia de gente e com uma tela gigantesca.
Indiana fez parte da minha infância, da minha adolescência e da minha pós-adolescência. Época muito importante da minha vida e de lembranças marcantes, como o próprio Indiana. Por isso, desde que anunciaram que fariam uma nova aventura, estava ansioso. Dezenove anos depois da terceira, veio a quarta película do famoso arqueólogo.
Não é só no mundo real que se passaram dezenove anos. Os três primeiros filmes foram ambientados nos anos 30 do século passado. O terceiro, em 1938. O novo é ambientado em 1957: precisos dezenove anos. Isto quer dizer que o personagem envelheceu como o ator, Harrison Ford, o que poderia tornar a história um tanto inverossímil, mas podem assistir sem medo. Indiana está mais velho, mas mantém o pique.
Os inimigos não são mais os nazistas, mas os soviéticos, o avanço vermelho e as conseqüências paranóicas que este avanço proporciona. A nova aventura começa no meio do deserto, em 1957, no auge da Guerra Fria. Indy e seu ajudante Mac (Ray Winstone) escapam por pouco de um encontro com nefastos agentes soviéticos em certo depósito do exército americano. Atenção para as referências aqui. Ao escapar, o Professor Henry Jones Jr. volta à sua casa e à Universidade Marshall, mas logo descobre que suas recentes ações tornaram-no alvo de suspeita do FBI e que o governo está pressionando a universidade para que o demita. Ao deixar a cidade, Indiana conhece o jovem rebelde Mutt (Shia LaBeouf), que precisa de ajuda para resgatar sua mãe e um velho amigo da família, também arqueólogo, que estava atrás de um dos maiores achados arqueológicos de todos os tempos: a Caveira de Cristal de Akator, um lendário objeto de fascinação, superstição e medo. Mas conforme Indy e Mutt partem para os cantos mais remotos do Peru, eles rapidamente percebem que não estão sozinhos em sua jornada. Agentes soviéticos também estão em busca do artefato, entre eles a fria e bela Irina Spalko (Cate Blanchett), pois acreditam que ele ajudará o império soviético a dominar o mundo. Indy e Mutt precisam encontrar uma maneira de enganar os soviéticos, seguir a impenetrável trilha de mistério, enfrentar inimigos e amigos de moral questionável e, acima de tudo, impedir que a poderosa Caveira de Cristal, caia nas mãos erradas.
O filme tem todos os elementos da mitologia de Indiana Jones: a música, o chicote, o chapéu, as situações inusitadas, o humor, o interesse romântico, o medo de cobra, o mapa que mostra o caminho da viagem, os animais, as perseguições, as soluções mais absurdas possíveis, as traições, as armadilhas fantásticas, enigmas e artefatos. Tudo muito bem dosado e bem colocado. Tudo traz lembranças boas dos três primeiros, inclusive algumas falas como: “Isto é intolerável!”; frase muito usada pelo personagem de Sean Connery e que agora é usado pelo “Junior!”.
Harrison Ford mostrou todas as facetas do personagem ao qual não voltava desde 1989. Não foi ele que envelheceu dezenove anos, mas o Indiana Jones. Não há senão em sua caracterização. Cate Blanchett está fantástica como sempre e dá um show como a vilã. A volta de Karen Allen, como a sempre lembrada Marion Ravenwood, interesse romântico de Indy no primeiro filme, foi providencial. Shia LaBeouf está ótimo e tem futuro certo no cinema. Para completar, John Hurt, com sua voz marcante. É um elenco de primeira.
Os efeitos são perfeitos, como não podiam deixar de ser, uma vez que estamos falando de Steven Spielberg e George Lucas. As seqüências são de tirar o fôlego, como a da perseguição de jipes pela floresta, com brigas de socos, tiros e espadas. Uma verdadeira aventura como há muito não se via. Sei que as pessoas vão lembrar de Tomb Raider, A Lenda do Tesouro Perdido e, até mesmo, A Múmia, mas não dá para comparar. Indiana Jones é muito mais cinema que qualquer um dos outros.
É digna de menção a abertura do filme. O logo da Paramount usado é antigo, assim como os créditos. Há uma brincadeira muito boa com o logo, que o transforma em parte do cenário. Detalhes preciosos e bonitos.
O que posso dizer mais? Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é filme para ver e rever, de preferência com a família. É diversão garantida e de qualidade. Só sendo muito sisudo para não gostar. Vou rever e, com certeza, vou levar meu filho.
*Leia outra crítica na coluna Luz & Sombras
Cotação para este filme:
..........................................................................................................................................................

| Cinema | Ir para todas as Críticas | Capa |