Go, Speed! Go!
Fotos: Divulgação/Warner Bros
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Fui assistir ao filme com certa ansiedade. Speed Racer fez parte da minha infância e é guardado com carinho nas prateleiras da memória. Curtia este anime demais. O horário em que ele passava era sagrado. Afinal, qual garoto que nunca sonhou em dirigir um carrão, ainda mais um como o Mach 5? Eu sonhei! As meninas dirão: “esses garotos e seus carrinhos!”. Fazer o quê? Eu adoro carrinhos, tenho uma enorme coleção. Meus filhos, dois meninos, o primeiro com 5 anos e o outro com 1 aninho apenas, adoram carrinhos. Acho que faz parte de ser menino, está gravado no DNA.
O desenho japonês, criado por Tatsuo Yoshida nos anos 60, conta a história de um jovem e audaz piloto de corrida, com apenas dezoito anos, que dirige o carro Mach 5, criado por seu pai, Pops Racer, e que vive diversas aventuras dentro e fora das corridas. O anime é muito conhecido pela sua canção tema e pela ótima trilha sonora, que tornava as corridas ainda mais emocionantes. Havia sempre acidentes espetaculares e "golpes sujos" dos participantes. A "Equipe Acrobática" e o "Carro Mamute" eram seus mais ferrenhos adversários. As corridas eram em locais inusitados, como selvas, desertos e até uma realizada dentro de um vulcão.

Baseado nesta clássica série, vem agora a versão live-action, trazida pelos irmãos Wachowski e pelo produtor Joel Silver, criadores da trilogia Matrix. A sinopse: arremessando-se pista afora, costurando de um lado para o outro durante toda a competição, Speed Racer (Emile Hirsch) é extremamente talentoso com o volante. Nascido para competir em corridas de automóveis, Speed é agressivo, instintivo e, acima de tudo, destemido. Ele só compete realmente com a memória do irmão que ele idolatrava – o lendário Rex Racer, cuja morte em uma corrida deixou para trás um legado que instiga Speed a igualar. Ele é leal aos negócios da família, que são administrados pelo pai, Pops Racer (John Goodman), o engenheiro criador do Mach 5. Quando Speed dispensa uma lucrativa e tentadora oferta da Royalton Industries, ele não só deixa o maníaco dono da empresa (Roger Allam) furioso, como descobre um segredo terrível: algumas das corridas mais importantes são pré-determinadas por certos magnatas impiedosos que manipulam os principais corredores para inflar os lucros. Se Speed não correr para a empresa de Royalton, este dará um jeito para que ele nunca mais cruze uma linha de chegada. A única maneira de conseguir salvar os negócios da família e o esporte que ele ama é vencendo Royalton em seu próprio jogo. Com o apoio da família e da fiel namorada, Trixie (Christina Ricci), ele se junta ao antigo rival, o misterioso Corredor X (Matthew Fox), para vencer a corrida que tirou a vida de seu irmão: o mortal rally que cruza o país, conhecido como A Provação. Ainda assim, o teste final para a verdadeira obstinação que Speed Racer tem em correr dar-se-á no mais importante evento de todos, o Grande Prêmio da Liga Mundial de Corrida. Mas, entre Speed e a bandeira de chegada, estão os melhores – e mais cruéis – competidores do mundo, abastecidos por uma promessa de recompensa milionária da Royalton para o corredor que conseguir tirar, de uma vez por todas, Speed do páreo.

O filme traz todos os elementos do anime, até mesmo o "Carro Mamute". É um show para os fãs, que adorarão ver que todos os gadgets do carro estão lá, controlados pelos botões no volante. A música tema e todos os personagens também estão lá, inclusive seu espertinho irmão mais novo, Gorducho, e o chimpanzé de estimação da família, Zequinha. Nostalgia pura.
A seqüência de abertura é ótima, mostrando a história recente da família, entre os flashes de uma corrida em que o maior adversário de Speed é o fantasma de seu falecido irmão. Esta narrativa é o ponto forte do filme, mas também se torna o ponto fraco quando, durante o resto do filme, é usada em demasia.
É divertido ver as manobras que são executadas pelos pilotos, mas, em vários momentos, o exagero transforma o que é bom em algo artificial demais. Não estou falando que o filme deveria ser fiel à nossa realidade de corridas. Lógico que não! Estou falando em verossimilhança. Mesmo para o universo criado para o filme, muitas cenas parecem forçadas demais, como se aquelas corridas acontecessem numa realidade virtual de videogame.
Exagero é, aliás, o grande pecado deste filme. O exagero no estilo narrativo, nas cores, nas imagens vertiginosas, nas manobras impossíveis (que, de tão forçadas, acabam não empolgando), no alívio cômico de Gorducho e Zequinha (que têm algumas cenas que chegam a ser chatas) e nos clichês.
No final, o saldo ainda é positivo, mas fica a impressão de que sobrou muita coisa e de que algo primordial ficou faltando, confesso que ainda não consegui definir o quê. Bom, ainda vale a pena assistir, claro! É possível que eu esteja olhando com olhos adultos demais e que esteja deixando o menino em mim um pouco de lado. No próximo fim de semana, levo meu filho mais velho comigo para ver se, com ele e todo o auge da sua meninice, eu consiga voltar a ser o garoto que sentava em frente à TV e vibrava com as aventuras de Speed.
Cotação para este filme:
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