Fetiche
Fotos: Divulgação
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O cineasta François prepara-se para filmar um policial, mas, durante o teste para uma cena de nudez feminina, escuta de uma atriz uma confissão que o deixa fascinado com o prazer que algumas mulheres sentem em transgredir tabus sexuais e em realizar pequenos prazeres eróticos proibidos.
Certo de que encontrou algo inovador, decide fazer um filme que misture ficção e realidade, explorando os mistérios do prazer feminino. Decide partir em busca de atrizes que topem participar de sua empreitada. Temos aqui, durante as entrevistas, cenas interessantes, com diálogos muito bons. Ao selecionar as atrizes, ele passa a realizar o que ele chama de “testes” e é aí que a coisa esquenta. François torna-se um verdadeiro vouyer e faz que as meninas liberem suas fantasias e tabus. São cenas quentes e ousadas com mulheres bonitas e sensuais, mas que fogem à premissa que o cineasta impôs a si mesmo. Explico: acredito que as mulheres eventualmente fantasiem sexo com outras mulheres, mas, só isso? Parece mais que François resolveu realizar os seus fetiches e não descobrir os prazeres femininos. O filme dá um show para os homens que fantasiam ver duas ou três mulheres fazendo amor, com cenas realmente excitantes, mas tenho minhas dúvidas que ele tenha chegado a algum lugar na procura do entendimento dos mistérios sexuais femininos.
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Os Anjos Exterminadores é um filme provocante, não só pelas ousadas cenas de sexo, mas por fazer uso de recursos narrativos interessantes.
Os diálogos são afiados e têm um ritmo muito bom. Há cenas muito bem montadas, como a que, durante um “teste”, François coloca duas atrizes tocando-se próximas ao batente da porta do quarto do hotel que dá para o corredor. Ele deixa a porta aberta para que elas se exibam a quem eventualmente passar. Podemos ver, no mesmo quadro, as meninas bolinando-se, François observando-as e o corredor do hotel, numa expectativa enorme de ver se alguém notaria os três ali.
Os tais anjos exterminadores, também lindas mulheres, que se auto intitulam anjos caídos, aparecem durante todo o filme como que conduzindo o cineasta à perdição. Elas alimentam a obsessão de François e o levam a caminhos perigosos preconizados pela aparição, logo no início, do fantasma de sua avó, a pessoa que mais o amou na vida.
Exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes de 2006, o filme chamou a atenção tanto pelas ousadas cenas de sexo quanto pelo enredo muito parecido com o escândalo que afetou a vida de seu diretor. Jean-Claude Brisseau foi processado após a realização de seu filme anterior, Coisas Secretas (2002), exibido no Festival do Rio de 2003.

Cotação para este filme:
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