Indiscreto
Fotos: Paramount Pictures
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É impossível não lembrar do clássico suspense do mestre Alfred Hitchcock, Janela Indiscreta, ao assistir a Paranóia, suspense adolescente que estréia dia 31 de agosto de 2007, em solo brazuca. E não é a falta de originalidade o problema deste longa, mas a indefinição quanto ao que é. O filme passeia entre drama familiar, comédia romântica e suspense. Mesmo assim, é um suspense sem tensão.
O personagem de Shia LaBeouf, bom ator que está em voga em Hollywood, é um adolescente que perde o pai de forma traumática (numa das melhores cenas do filme) e que, por conta disto, tem uma mudança radical de comportamento. Certo dia, na escola, um professor insensível faz um comentário sobre como o seu pai sentir-se-ia se o visse hoje. Kale perde o controle e o esmurra (não o culpo!) — e só por causa da intervenção de sua mãe é que o juiz não o manda para o reformatório. Fica, entretanto, proibido de sair de casa, sendo monitorado por um aparelho preso à sua perna. Mas mesmo dentro de casa, a vida não se mostra nada fácil também para ele, enquanto a mãe faz de tudo para sustentar a família, trabalhando noite e dia. As paredes parecem sufocá-lo com o passar dos dias e Kale começa a prestar mais atenção do lado de fora delas. Ele começa a observar o que ocorre na vizinhança, principalmente em relação à sua nova vizinha, a gatíssima Ashley, interpretada por Sarah Roemer. Ela percebe que está sendo observada e gosta da brincadeira. Assim, os dois, aliados a mais um amigo do rapaz, começam a espionar os vizinhos munidos com um equipamento de vigilância. A brincadeira logo se transforma numa situação séria e até mortal: os três jovens começam a suspeitar que um de seus vizinhos possa ser um assassino serial.
O filme diverte, faz você torcer pelo protagonista (mais por mérito do ator), mas não faz sentir aquele nervosismo característico de um bom suspense. Há um problema grave de direção neste filme. Só dá para compará-lo ao Janela Indiscreta por causa da premissa básica do filme, mais nada. A direção de D.J. Caruso passa a anos-luz de distância da de Alfred Hitchcock. O final do filme chega a ser deprimente. A resolução parece que foi feita às pressas apenas para dar um final ao filme. Não vou comentar mais para não estragar a surpresa de quem for conferir. Há outros problemas: o marrento policial latino, primo do insensível professor latino, dá uma aula de estupidez (por serem latinos, talvez?); o vizinho tem uma casa que daria inveja a Bruce Wayne, vejam e entenderão o que quero dizer.
Salvam-se as interpretações, principalmente as de Shia LaBeouf e David Morse.
O primeiro, ganhando terreno na profissão, queridinho de Hollywood, de Steven Spielberg, de público e de crítica, e o segundo, um ator muito bom, com muitos bons filmes nas costas, como o maravilhoso À espera de um milagre, o nervoso 16 quadras, bem como Os doze macacos e A rocha. Salvam-se também Sarah Roemer, com sua beleza jovial e Carrie-Anne Moss, com sua beleza mais madura, mas, ainda assim, estonteante.
Bom, se você quiser uma diversão despretensiosa, Paranóia vale o ingresso. Mas, se quiser um suspense de verdade, passe na locadora e alugue Janela Indiscreta.
Cotação para este filme:
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