Sátira no gelo
Fotos: Paramount Pictures
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Não existe esporte onde o casamento de atletismo com graciosidade seja mais evidente que na arena da patinação no gelo de duplas, onde a pontuação resulta de uma mistura perfeita de força e sofisticação, coragem e arte, músculos e refinamento. E o campeonato mundial é um mundo elegante, um universo rarefeito, um local nobre povoado pelo crème de la crème da patinação no gelo. Bem, costumava ser.
Quando o astro Chazz Michael Michaels sobe no rinque, ele vai deixando atrás de si um rastro de gelo repicado e fãs enlouquecidas. O único competidor à sua altura é o ex-menino prodígio Jimmy MacElroy, que, na época em que morava no orfanato, foi descoberto por um olheiro executando saltos triplos num lago congelado nas redondezas. Após treinos intensivos, ele se tornou a personificação dos mais altos ideais desse esporte na categoria masculina. Michaels e MacElroy já se encontraram em finais de campeonatos anteriores, mas seu último confronto, numa disputa pela medalha de ouro, faz que a rivalidade de longa data exploda numa luta corporal que acaba incendiando a mascote do campeonato e expulsando-os do esporte.
Agora, três anos e meio depois, os dois ainda não encontraram seu lugar no mundo dos “simples mortais”. Michaels se transformou numa máquina de beber, que patina fantasiado num show infantil, e MacElroy foi expulso do departamento de calçados de uma loja de departamentos. E é aí que acontece a virada: para poderem patinar de novo, os dois decidem unir forças e inovar como a primeira dupla — de homens — da história da patinação no gelo... Se o esporte sobreviver a isso, é claro!
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Esta é a sinopse do filme Escorregando para a Glória, que estréia dia 10 de agosto de 2007 nos cinemas brazucas. Uma sátira a um dos esportes artísticos mais elegantes, virtuosos e cafonas do mundo. Will Ferrell está impagável como o truculento, grosso e mal-educado Michaels. Só a idéia de ver este personagem competindo e ganhando num mundo tão gracioso é de matar de rir. E o ator se esbalda em situações cada vez mais ridículas. Afinal, ele mesmo disse que não tem medo do ridículo. Seu inimigo e futuro parceiro, o delicado prodígio virginal MacElroy, interpretado por Jon Heder, é a figura do patinador de gelo elevado à décima potência. Sua apresentação imitando um pavão é o cúmulo do nonsense.
Aliás, o filme abusa do politicamente incorreto e do nonsense. Satirizam tudo neste esporte, principalmente as vestimentas e os brilhos. Os protagonistas usam colantes purpurinados, mas são opostos entre si, com estilos diametralmente contrários. Seus cabelos e penteados são motivos dos maiores cuidados. Quando resolvem formar a primeira dupla de homens a disputar esta categoria do esporte, criam as mais esdrúxulas situações, com suas roupas de gosto duvidoso e suas coreografias exageradas, com pegadas em lugares estranhos e um choque pélvico que doeu até em mim. A dupla de comediantes, que faz muito sucesso atualmente, assegura muitas risadas. Isto é, para quem vai despido de preconceitos e com a mente aberta, pois brincam o tempo todo com a cafonice do esporte e com a “feminilidade” e a delicadeza dos seus competidores.
Seus antagonistas, a dupla de irmãos incestuosos Van Waldenberg, campeã da categoria, não querem perder o posto para a aberrante dupla de dois homens e jogam sujo para manterem seu status quo. A dupla também garante boas risadas com sua aparente boa índole e sua real falta de princípios.
Não é à toa que a película arrecadou US$ 33 milhões em seu final de semana de estréia no país de origem, ficando com primeiro lugar no ranking. E continuou assim no segundo final de semana, em que arrecadou mais US$ 23 milhões. Em duas semanas, o filme atingiu a impressionante marca de US$ 68,4 milhões. O filme diverte e agrada, garantindo um bom passatempo.
Cotação para este filme:
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