Maturidade
Fotos: Divulgação/Warner Bros
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Há uma enorme dificuldade em se adaptar a linguagem escrita à linguagem áudio-visual, a Literatura ao Cinema. Daí, já nasceram discussões calorosas sobre transitividade ou intransitividade, se adaptamos, se transpomos, se traduzimos ou se baseamos. É uma discussão antiga, estudada por diversos apaixonados pelas duas artes. É estatístico, porém, que a grande maioria dos filmes produzidos tem roteiros adaptados. Apesar de todas estas dificuldades, esta relação é antiga e está longe de encontrar um fim.
Esta mesma discussão começa novamente a cada adaptação dos livros do jovem bruxo, Harry Potter. Alguns leitores, apaixonados que são, reclamam por este ou aquele corte na história original. Mas como colocar as 702 páginas do livro em 138 minutos de filme? Resposta: não dá. Apesar destas reclamações, a escolha do que deveria estar no filme foi bem-feita e o livro foi bem aproveitado.
J. K. Rowling criou um sucesso editorial sem precedentes na Literatura e, claro, estava destinado a virar película. O interessante nos livros é que, do mesmo jeito que os meninos amadurecem, a forma que Rowling conta a história também amadurece. O primeiro livro é bem infantil, leve e simples. Mas os seguintes vão ficando, cada vez mais, à medida que os lançamentos sucedem-se, densos e sombrios. É claro que ainda são livros infanto-juvenis, mas é como se a escritora quisesse que seus leitores, quase todos da mesma idade dos protagonistas, amadurecessem junto com os personagens, apesar de declarar que não tinha direcionado a nenhuma faixa etária em particular quando começou a escrever os livros de Harry Potter.
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Os filmes seguem o mesmo princípio. Acredito, inclusive, que este foi um dos motivos das mudanças de diretores da franquia. Chris Columbus, diretor dos dois primeiros, fez os filmes mais infantis. O terceiro e o quarto filmes foram ficando mais sombrios, mas esqueceram um pouco da magia, não no sentido amplo, mas nos detalhes. Tudo em Hogwarts é mágico. Não só quando se faz uso das varinhas. As paredes são recheadas de quadros mágicos, as escadas se movem o tempo todo, as criaturas existem fora das aulas de Trato com as Criaturas Mágicas. Yates resgata isso no novo filme, mas coloca como algo natural, comum para os bruxos. O início do filme lembra um filme de terror, como se a realidade dos Trouxas, aliado ao ataque dos Dementadores, fosse a pior coisa que existe no mundo, depois de Você-sabe-quem, é claro.
A arte do filme é primorosa e, nesse quesito, é o melhor deles. Tudo é muito bem feito e belo de se ver. A cena da batalha entre os bruxos na sede do Ministério da Magia é de arrepiar. Aliás, ação é o que não falta neste capítulo da história.
Os novos personagens foram brilhantemente representados. Imelda Staunton faz uma Dolores Umbridge extremamente fiel à criação de Rowling, aquela carinha simpática, vestida de rosa, que adora pratos de gatos (mais um ponto da arte), chá, mas que espalha uma maldade enorme. A novata Evanna Lynch faz uma Luna Lovegood que fica difícil de dizer se é mesmo uma interpretação ou se, num passe de mágica, a personagem saiu do livro para fazer o filme. A louca, desvairada e diabólica prima de Sirius Black, Belatriz Lestrange, interpretada por Helena Bonham Carter, faz uma participação pequena, mas importantíssima e com sabor de quero mais.
A grata surpresa do filme foi o diretor, David Yates. O produtor David Hayes chamou-o por ser especialista em dirigir atores e em filmar cenas de ação. E estes quesitos, aliados à arte, são o que há de melhor no longa. Os atores, incluindo o trio principal, estão ótimos e as cenas de ação muito bem dirigidas. Fico feliz em saber que ele é o diretor de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, que começa a ser rodado em outubro próximo e tem estréia prevista para o dia 21 de novembro de 2008.
Harry Potter e a Ordem da Fênix tem estréia mundial em 11 de julho de 2007 e a seguinte sinopse oficial: Harry (Daniel Radcliffe) retorna a Hogwarts para cursar o quinto ano e descobre que muitos na comunidade bruxa não acreditam em sua história sobre o recente encontro com Lorde Voldemort (Ralph Fiennes), preferindo negar a possibilidade de que o maléfico bruxo tenha ressurgido. Receoso das intenções de Alvo Dumbledore (Michael Gambon) com a volta de Voldemort, o Ministro da Magia, Cornélio Fudge (Robert Hardy), indica uma nova professora para Defesa Contra as Artes das Trevas, Dolores Umbridge (Imelda Staunton), com o trabalho de vigiar diretor e alunos. Contrariando as expectativas dos jovens bruxos, Dumbledore aceita a indicação, para evitar polêmicas. Mas a qualidade do ensino de Defesa Contra as Artes das Trevas cai e assim, os jovens bruxos ficam terrivelmente despreparados para se defenderem contra as forças do Mal que ameaçam a comunidade mágica, forçando Harry e seus amigos Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) a tomarem as rédeas da situação. Em encontros secretos com um pequeno grupo de alunos auto-intitulados ‘ Armada de Dumbledore’, Harry os ensina como se defenderem contra as Artes das Trevas, preparando os jovens bruxos para os tempos difíceis que virão.
O filme é ótimo, talvez o melhor até aqui, embora saiba que há controvérsias. Há outro fato importantíssimo: além de todas as qualidades apontadas, é aqui que a verdadeira batalha começa. Mas é só isso, o começo. Seu único problema é deixar-nos ansiosos pelo próximo, pelo desenrolar da guerra.
Cotação para este filme:
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