Perplexão
Foto: Divulgação
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Numa escola secundarista no sul da Austrália, um suicídio, que ocorre exatamente às 02:37 da tarde, revela, aos poucos, o lado sombrio da vida dos alunos, envolvendo relações amorosas, drogas, abuso sexual, negligência familiar e doenças nervosas. O filme acompanha seis desses alunos até o trágico fim, e todos têm motivos para se suicidar. Uma das jovens sofre com uma gravidez indesejada, que pode revelar um terrível segredo. O líder do time de futebol, aparentemente seguro de si, parece ter dúvidas cruciais em relação à sua vida. Um outsider lida com as provocações diárias de seus desafetos. Uma bela jovem enfrenta distúrbios alimentares. Um estudante exemplar luta para conseguir a aprovação de seus pais. E outro jovem recorre às drogas para fugir de seus próprios demônios. Mas quem de fato tomou o passo derradeiro?
Esta é a sinopse de 2:37, filme australiano inspirado em eventos da vida do próprio diretor, o estreante Murali K. Thalluri, que estréia em nossos cinemas no dia 20 de julho de 2007. É inevitável uma comparação deste com Elefante (2003), de Gus Van Sant. Ambos estão ambientados em escolas e focam suas histórias em personagens do mesmo tipo, ou seja, alunos secundaristas, adolescentes, cheios de problemas e com forte carga dramática. Além do cenário e dos personagens, há semelhanças na estética e na narrativa utilizadas, como as idas e vindas da câmera perseguindo os personagens e os cortes voltando um pouco no tempo e mostrando as ligações ou os encontros entre eles. Fora isto tudo, os dois filmes são baseados em eventos reais. Mas acaba por aqui o que se pode comparar. De resto, são dois filmes totalmente diferentes. É provável que o estreante tenha buscado inspiração no estilo de Gus Van Sant. Entretanto, isso não desmerece seu trabalho.
Murali K. Thalluri faz uso de uma técnica muito interessante: depoimentos dos seis alunos para que possamos conhecê-los melhor e entender seus motivos. Estas entrevistas, distribuídas ao longo de todo o filme, dão-nos subsídios para podermos tentar descobrir quem deu o derradeiro passo. Um detalhe, os depoimentos parecem soltos, sem motivo de ser, mas, ao final, demonstram a quê vieram.
Há cenas fortíssimas que deixam o espectador perplexo, embasbacado mesmo. A cena em que descobrimos o porquê da menina que está grávida sofrer tanto com isso, nos dias de hoje, é um soco no estômago. A cena do suicídio, então, é tão intensa que dificilmente alguém a assistirá de maneira impassível.
É certo que alguns personagens parecem estereotipados. O garoto popular jogador de futebol, a namorada bulímica dele, o nerd avacalhado pelos colegas, a menina depressiva, o drogado rebelde ou o rebelde drogado e o ótimo aluno que só não é ótimo para o papai. Parecem, mas não são. Thalluri estica estes estereótipos e os transforma em personagens com dramas mais profundos. O que você espera deles, não vem. É sempre outra coisa. Não posso falar muito para não estragar, mas cada um deles guarda surpresas quase sempre chocantes.
2:37 é um filme intenso. Incomoda e faz pensar. Aquele nerd que a galera ficava zoando, aquele garoto bom nos esportes e popular com as garotas, a menina bonita metida a besta, o rebelde que ninguém entendia, a solitária, a chorona, o perfeitinho. Estão todos ali. Você relembra seus tempos de escola e identifica muitos dos seus amigos ali. Talvez identifique e enxergue a si mesmo. No meu tempo de escola não houve tragédia, mas pensando bem, podemos ter chegado bem perto e nem mesmo ficamos sabendo.
Cotação para este filme: 
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