Etnopoesia
Foto: Reprodução
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Dia 29 de junho, estréia, no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília, 500 Almas. Assisti-lo, remeteu-me às aulas de Cultura Brasileira e de Humanidades e Culturas que tive em minha faculdade. Aulas importantes que, muitas vezes, esquecemos de dar o devido valor em nosso dia a dia. O documentário é o primeiro longa-metragem de Joel Pizzini e também o primeiro produzido em Mato Grosso do Sul. O filme experimenta as correspondências entre a língua indígena e a linguagem cinematográfica para falar das contradições e paradoxos dos discursos relativos à questão indígena, refletindo, assim, sobre a imagem que a sociedade e o próprio índio fazem de sua cultura.
Segundo Pizzini, é um filme "etnopoético" que desvenda o universo mítico e existencial da cultura guató, uma etnia indígena milenar que vive, hoje, dispersa pela região do Pantanal. Recorrendo a uma narrativa que procura dialogar com a memória estilhaçada deste povo, o filme constrói uma espécie de mosaico para revelar a saga dos Guatós que lutam desesperadamente pela manutenção de sua identidade.
O título, 500 Almas, refere-se à quantidade de Guatós que há hoje e que permanece assim desde o século XIX. A cultura desta etnia julgava-se extinta, o que torna o trabalho de pesquisa para a feitura do filme um primor e um exemplo de exercício sócio-cultural. Informações, entre imagens e documentos raros, foram buscados até na Alemanha. Para se ter uma idéia desta dificuldade, dos 500 Guatós que ainda existem, menos de trinta falam a língua. O mosaico, mencionado acima, forma-se, então, de fragmentos de uma cultura milenar estilhaçada por anos de exploração.
O documentário é interessante não só pelo conteúdo sócio-cultural, mas por imagens muito bonitas e, como disse Pizzini, poéticas. Vale mencionar a participação de Paulo José e de Matheus Nachtergaele, bem como a do poeta Manoel de Barros. Um filme para guardar na memória sócio-cultural do país.
Cotação para este filme: 
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