Agilidade e Diversão
Foto: Reprodução
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Confesso que fiquei cabreiro quando ouvi falar em Treze Homens e Um Novo Segredo, cuja estréia, no Brasil, estava prevista para 31 de agosto, mas foi antecipada para o dia 22 de junho de 2007. Pensei que seria um daqueles caça-níqueis sem pé nem cabeça que o próprio George Clooney afirmou fazer, de vez em quando, para financiar seus projetos menos hollywoodianos. Afinal de contas, 12 Homens e Outro Segredo, a primeira continuação, foi consideravelmente inferior ao primeiro filme, Onze Homens e Um Segredo. Entretanto, apesar das probabilidades desfavoráveis, foi um prazer assistir ao novo filme. Não deixa de ser um caça-níqueis, é até honesto em se assumir como tal, visto que não aspira ser algo além, mas é um dos bons, com certeza, o melhor desta, por enquanto, trilogia. Ocean’s 13, no original, é exatamente aquilo que pretende ser: uma ótima diversão.
A saga de Daniel Ocean (Clooney) ganha contornos interessantes aqui. Ele reúne seus amigos para um golpe visando não o lucro, mas um acerto de contas com Willy Bank (Pacino), empresário insensível e sem escrúpulos, dono de cassinos, que deixou Reuben Tishoff (Gould), amigo, mentor e parceiro de Ocean, às portas da morte, ao passá-lo para trás em um golpe traiçoeiro que o levou ao infarto. O grupo de “honestos ladrões” ainda oferece a Willy um Billy Martin, nome que se dá, nesse meio de gamblers, a uma segunda chance. Mas, no alto de sua arrogância, ele recusa e vira alvo de Ocean e seus muitos amigos.
O plano é mirabolante e ocupa uma parte do filme com sua explicação em grandes doses de narração, que não se tornam maçantes por conta da agilidade dos diálogos pontuados com piadas e tiradas muito boas. Aliás, a maior força do filme reside nos afinadíssimos e divertidíssimos diálogos. A idéia é fazer que o Cassino realize os sonhos de seus apostadores, ou seja, quebrar a banca. Para isso, eles devem inverter todas as probabilidades dos jogos. A elaboração do plano só perde em fascínio para as complicações que vão surgindo ao longo do caminho.
Steven Soderbergh consegue dosar bem o filme e o mantém seguro em suas mãos, demonstrando toda a perícia que o levou ao Oscar com Traffic. Todos os intérpretes estão bem em seus papéis, com destaque para o sempre ótimo Al Pacino, que enche a tela toda vez que aparece como o orgulhoso, soberbo e atrevido Willy, e para Carl Reiner, que interpreta Saul Bloom; aliás, uma cena impagável é protagonizada pelos dois, simplesmente hilária. Que me perdoem os fãs, mas não deu para sentir falta alguma das atrizes dos filmes anteriores, Julia Roberts e Catherine Zeta-Jones, a solução encontrada para a ausência delas é extremamente simples, mas eficiente.
Matt Damon, ator que interpreta o personagem Linus Caldwell, afirmou: "só concordamos fazer porque tínhamos um ótimo tema, que é a vingança. E no final, o roteiro ficou muito melhor que os dois primeiros". Concordo com ele, o roteiro é o melhor dos três, o filme também.