JUNO
Foto: Divulgação/Paramount
Sabe aqueles dias em que você acorda com o pé esquerdo e tudo parece dar errado? Todo mundo já teve um dia desses. E não é tão bom quando, durante este pequeno calvário, algo subitamente acontece elevando seu estado de espírito e te fazendo, ao menos por hora, esquecer todas as mazelas que te abalam?
Mas do que eu estou falando, afinal?
É que Juno é daqueles filmes capazes de salvar o seu dia.
Descobrindo-se grávida aos 16 anos, Juno decide que dará a criança para a adoção, mas a sarcástica garota quer se certificar que os futuros pais de seu filho sejam, no mínimo, normais (coisa que ela, definitivamente, não é), e ao mesmo tempo, tem que lidar com o delicado estado em que se encontra.
A adorável trama é conduzida de forma bem leve e com bom humor até mesmo nos momentos dramáticos. A escritora Diablo Cody criou um roteiro sensacional, cheio de sensibilidade, humor ácido e diálogos afiados e inteligentíssimos. Ele pode ser considerado o responsável direto pelo sucesso que o filme vem obtendo com a crítica e também junto ao público, já que sua linguagem cheia de referências, ainda que descomplicada, agrada facilmente.
E assim como Michael Arndt faturou o Oscar por Pequena Miss Sunshine - filme que tem clima e caráter inventivo muito semelhante à Juno - no ano passado, torço para que Cody também seja reconhecida por seu inspirado trabalho.
Ao lado do excepcional roteiro, não há como não destacar o desempenho de Ellen Page. Ela encarna Juno de forma tão verdadeira e cheia de vida que conquista o expectador mesmo quando suas excentricidades e estranheza (como quando ela, mais de uma vez, refere-se ao seu bebê como “the thing”) se sobressaem ou quando sua imaturidade vem à tona. É daquelas atuações que marcam o filme, o público e, acima de tudo, a vida e a carreira de uma atriz.
E se a vivacidade de Page domina todas as atenções, o restante do elenco de Juno junta-se a ela de forma bem entrosada e em perfeita sincronia. Todos estão ótimos, principalmente a sempre cativante Jennifer Garner (linda!), que aqui está mais apaixonante do que nunca.
A eficaz direção de Jason Reitman (do ótimo Obrigado Por Fumar) acompanha o desenrolar do longa sem muitas intervenções. De maneira discreta, arranca performances fantásticas do elenco e ainda cria uma bela tomada em animação na abertura com uma montagem empolgante e divertida.
Acompanhando perfeitamente essa receita, a trilha sonora ouvida em Juno é a verdadeira cereja no bolo da produção, um toque de extremo bom gosto e originalidade que se evidencia na maravilhosa seqüência final, onde a música “Anyone Else But You” é entoada despertando suspiros e sorrisos involuntários na audiência.
Não deixe de conferir esse filme. E se você estiver meio “pra baixo”, confie, será um santo remédio. Eu garanto!
Cotação para este filme:
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