» FICHA TÉCNICA |

Título Original: December Boys
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 105 minutos
Ano de Lançamento (Austrália / Inglaterra / EUA): 2007
Estúdio: Becker Group / MB 2 Film & Media GmbH / Australian Film Finance Corporation / Best FX / Village Roadshow Pictures
Distribuição: Warner Independent Pictures
Direção: Rod Hardy
Roteiro: Marc Rosenberg, baseado em livro de Michael Noonan
Produção: Richard Becker
Música: Carlo Giacco
Fotografia: David Connell
Desenho de Produção: Leslie Binns
Direção de Arte: Andrew Walpole
Edição: Dany Cooper
Efeitos Especiais: Complete Post
Elenco: Daniel Radcliffe (Maps); Lee Cormie (Misty); Christian Byers (Sparks); James Fraser (Spit); Jack Thompson (Bandy); Teresa Palmer (Lucy); Sullivan Stapleton (Fearless); Victoria Hill (Teresa); Max Cullen (Misty - adulto / Narrador); Michael Norman (Spark - adulto); Mike Welton (Spit - adulto); Kris McQuade (Sra. McAnsh); Ralph Cotterill (Shellback); Frank Gallacher (Padre Scully);
Paul Blackwell (Watson); Carmel Johnson (Irmã Beatrice); Carole-Anne Fooks (Irmã Edna); Judi Farr (Madre superiora).
Site Oficial: www.decemberboys.com


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DANIELE COSTA »

daniele.cl@hotmail.com

» RIO DE JANEIRO, 3 DE NOVEMBRO DE 2007

Um Verão Para Toda Vida
Depois daquele verão, nada mais será o mesmo

As mudanças que assolam o corpo e a personalidade de todos nós quando passamos da infância à adolescência têm servido como base para muitos roteiros de cinema. Retratar a perda da inocência e o início da maturidade, fase tão importante no desenvolvimento humano, certamente permite o acesso a uma série de vantagens dramáticas, pois essa mesma época é quase sempre permeada por momentos de aventura ou bruscos que irão tornar-se valiosas lembranças e aprendizados imprescindíveis.

Baseado do romance homônimo de Michael Noonan, essa saga é vivida por Maps, Spark, Misty e Spit (Daniel Radcliffe, Christian Byers, Lee Cormie e James Fraser, respectivamente), órfãos educados, desde os primeiros anos de vida, em um rígido internato católico que vêem com pesar o passar dos anos enquanto somente os garotos mais novos são adotados e levados para o seio de uma família. Tudo “deveria” mudar quando, como presente de aniversário (todos comemoram a data em dezembro, por isso o nome original, December Boys), os meninos ganham uma viagem de férias para uma paradisíaca enseada.

Infelizmente, o diretor Rod Hardy desperdiça o potencial dramático de sua história com uma trama pouco coesa que é ainda mais prejudicada pelo tom místico (ou católico, se preferir) adotado pelo mesmo. Como desconheço a obra original, não sei se isso é invenção do roteirista Marc Rosenberg. Sei apenas que a influência religiosa do roteiro vai pelo cano quando o diretor tenta fazer comédia com a mesma e ainda usá-la como “milagre” numa constrangedora cena ao mar.

Outra falha se mostra no foco que os meninos recebem. Definidos claramente como os protagonistas da narrativa, Maps e Misty não deixam espaço para que os outros meninos sejam explorados. E a culpa parece cair nas mãos da dupla responsável pelo filme que relega Spark e Spit a segundo plano, contentando-se em somente mostrar alguns caricaturais talentos dos meninos como desenvolvimento de personagem. Vejo aí uma grande contradição num filme que prega a unidade familiar entre eles. Onde há essa união mágica quando apenas dois deles são relevantes à história?

Hardy erra a mão também no tom da narrativa, misturando momentos melancólicos e bobinhos que não conseguem despertar comoção ou riso, reações indispensáveis para se manter o interesse. O resultado obtido é um filme chatinho, que mesmo que apresente personagens agradáveis, falha quando não alcança os ideais dramáticos esperados.

O filme apresenta boas performances, principalmente do menino Misty (Lee Corme) com seus olhos ávidos e sua ambígua personalidade. Quase todo o elenco é bem resolvido. Quase, porque Teresa Palmer, que vive Lucy, interesse romântico de Maps, e Daniel Radcliffe são inexpressivos e caricaturais. Ela, que usa o tempo inteiro a expressão de “menina-curiosa-extremamente-sexy” figurada pela inclinação do pescoço (essa menina deve ter tido dores intensas após a gravação) e ele quando exibe suas famosas caretas e nos “presenteia” com um irritante e infundado ataque adolescente quando tem seu coração partido. Sendo principal chamariz do longa, Harry Potter, digo, Radcliffe, mostra que as críticas que sua interpretação recebe na série do bruxinho não são tão exageradas assim e deixa a pergunta no ar: será que sua carreira sobreviverá ao fim da série?

Pra não dizerem que eu só critiquei o filme, ressalto o bonito visual que oscila entre o desértico e o paradisíaco, a deliciosa trilha sonora, que é composta por um apanhado de clássicos rock n’ roll dos anos 50 e 60 e as cenas que mostram o belo relacionamento do casal McAnsh e a morte de “Henry”, que são as únicas cenas que conseguem a proeza de comover o espectador, mesmo que por um breve momento.

Ao apresentar a sinopse do filme, eu afirmei que tudo deveria mudar na vida dos meninos. Ora, mas esse não é um filme sobre mudanças? Então porque a afirmação?

Explico.
A citação que usei no início do texto não é tirada exatamente do filme, ela foi proposta como divulgação e pode ser vista em quase todos os pôsteres do mesmo. O longa propõe uma história de descobertas e mudanças. Até obtêm sucesso ao mostrar a primeira, mas falha ao impedir que uma real reviravolta aconteça na vida dos meninos fazendo com que tudo termine mais ou menos onde começou. E um filme que não cumpre o que pretende retratar não pode ser considerado de qualidade.

Cotação para este filme:
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