CONTROL
Foto: Divulgação
Ian Curtis era mais uma dessas pessoas comuns: se casou cedo e foi trabalhar atrás de uma mesa para pagar as contas de casa. Se não tivesse uma banda de rock e vivido na cinzenta Manchester dos anos 1970, não seria nada. Se não fosse líder da pós-punk Joy Division e protagonista de algumas cenas envolvendo seu problema de saúde, a epilepsia, seria só mais um no meio de muitos.
“Control” retrata a vida dessa estrela de rock antes de se tornar uma. Na verdade, quando o Joy Division estava prestes a fazer sua primeira turnê pelos Estados Unidos, e ser conhecido no mundo todo, Ian se suicidou. A banda conseguiu notoriedade depois do incidente, mas o processo criativo, com Curtis, se encerrou ali. Sobraram apenas rebarbas de gravações em estúdio. Foi daí que saiu “Love Will Tear Us Apart”, canção mais famosa dela.
Dirigido por Anton Corbijn, fotógrafo do grupo, o filme tenta contar momentos de forma rápida para quem não está por dentro dos acontecimentos. Baseia-se no livro da mulher de Ian, Deborah Curtis, “Touching From a Distance”. Talvez, o assunto mais tocado seja a vida matrimonial de seu protagonista, que teve um caso paralelo com uma certa repórter belga, Annik Honoré (Maria Lara). Entretanto, os primeiros minutos de película são para Ian e Deborah. Se num minuto se conhecem, no próximo estão se casando e, no seguinte, se dispersando. Há algum motivo para isso? Não, pois a obra não se dá tempo para isso.
A banda é relativamente deixada de lado. Reúnem-se e a criam o Joy Division numa situação casual. Nisso, Deborah já é um problema sem explicação. A seguir, vemos os outros integrantes, que futuramente viram a constituir o New Order, ajudar seu vocalista a se reerguer de sucessivos ataques epiléticos e “puladas de cerca”.
Ian era um sujeito introspectivo, solitário e triste. Um perfeito retrato de seu ambiente e época. Seu suicídio é uma rua de muitas saídas. Percebe-se, de acordo com o filme, que ele não estava mais suportando seus problemas do dia-a-dia. O aumento dos ataques seria até uma resposta psicológica a essa pressão. O derradeiro,inclusive, é de gelar a espinha. Nisso, o ator Sam Riley desempenha muito bem seu papel. O jeito como ele representa Ian, no palco, possuído por um demônio, como se prenunciasse seu destino, é antológico.
Representando as incertezas de seu protagonista, “Control” vai muito bem. Contudo, quando resolve tratar dos elementos ao redor do personagem, ele vacila. Para começar a gostar de Joy Division, ele é perfeito. Pena que o espectador terá que correr atrás do resto. É aí que a cinebiografia perde sua força.
Cotação para este filme:
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