JOY DIVISION
Saindo um pouco do ambiente “iancurtisano” de “Control”, o documentário “Joy Division” é auto-explicativo e mais abrangente quando o assunto é a evolução da banda que começou como “Warsaw” e o cenário de Manchester nos anos 1970/80.
Claro que, até o momento, nenhuma outra película fala tão bem da época como “A Festa Nunca Termina”, mas “Joy Division” soa como um eficiente complemento ao filme de Anton Corbijn que, não por acaso, estreou quase na mesma época que ele.
Passados vinte e oito anos da morte de Ian Curtis, as pessoas ainda refletem sobre o que teria levado o líder de uma banda de rock em ascensão a forçar o fim da vida. Bernard Summer, Peter Hook e Stephen Morris, ex-Joy Division e atuais membros do New Order, fazem uma reflexão sobre o ocorrido. Respondem também, com bom humor, o fato de todas as suas bandas terem uma referência ao nazismo. Uma coincidência que todos gostam de pegar no pé. Na verdade, isso era uma resposta ao sentimento de extrema insatisfação daquele tempo.
Há espaço até para a amante, Annik Honoré (Deborah Curtis, a esposa traída, não quis aparecer no filme), naturalmente envelhecida, Anton Corbijn e Tony Wilson, o grande mentor do movimento pós-punk. Este último, inclusive, viria falecer logo em seguida.
O diretor, Grant Gee, tem talento para conseguir boas entrevistas e uni-las ao escasso material audiovisual sobre a banda. O espectador encontra as apresentações televisivas em que cortavam a imagem de Ian enquanto ele fazia sua excêntrica coreografia. São arquivos raros e interessantíssimos de se ver.
Os personagens do documentário vêem o passado com extrema nostalgia, sem nunca dar um parecer negativo aos incidentes. Contudo, a pessoa que está do outro lado da tela sente toda a carga, tensa e melancólica, do longa. É uma experiência mística.
Assim como “Control”, “Joy Division” se encerra ao som de “Atmosphere”. Um hino mórbido e perfeito para o velório de Ian e sua banda. O filme de Gee trabalha com certas imagens a ponto de querer torná-las mais icônicas do que já são.
Curtis atingiu seu precoce ponto final, mas as palavras continuaram a ser escritas para outros personagens envolvidos naquela década. “Joy Division” é sóbrio e suficiente. Ideal para os seguidores e simpatizantes do movimento em Manchester, com as bandas, a Factory Records, ruas estreitas e paisagens desoladoras.
Cotação para este filme:
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