VIVA ZAPATERO
Foto: Divulgação

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A primeira imagem de “Viva Zapatero!” é a de um Silvio Berlusconi debochado e falastrão, em rede nacional, discursando para seu povo. Claro que o espectador sabe que é uma piada, mas se surpreende ao ver quem a faz: uma mulher, Sabina Guzzanti, que se disfarça do ex-primeiro ministro italiano, tornando-se irreconhecível.
Sabina havia, em 2003, lançado o programa humorístico RaiOt, na televisão pública. Usava a sátira para criticar a política italiana daquela época, em que Berlusconi ainda exercia seu terceiro mandato. Após a exibição do primeiro episódio, a Mediaset, propriedade do primeiro ministro, processou o programa por difamação. A RAI, então, resolveu tirá-lo do ar. Como havia feito sucesso e atingido altos índices de audiência, a apresentadora do humorístico foi à luta, protestando contra a censura midiática em suas peças teatrais (ainda livres para serem exibidas) e gerando grande repercussão. A idéia deste documentário veio a seguir.
“Viva Zapatero!” é um filme, apesar do tema, bem leve, pois também apresenta os esquetes de Sabine, ao mesmo tempo em que informa e conscientiza o espectador. A humorista, e também diretora, apresenta provas contundentes da censura e “põe na parede” autoridades, quando as encontra na rua.
O governo italiano insistia em considerar a sátira como uma ofensa às figuras políticas, mas não via porque elas eram citadas. Ninguém havia usado palavras de baixo calão a tais figuras, mas o fato de criar um personagem com base em particularidades (como o problema na voz de determinada pessoa) era algo que irritava Berlusconi e seus agregados. A crítica a seu governo era o motivo principal, mas procurava-se pequenas desculpas para se ocultar aquilo que interessava, levando sempre ao cerceamento da liberdade de expressão.
Uma vez, havia ouvido a célebre frase (não lembro o autor) de que “se um país não ri, seus políticos são perfeitos”. Para bom entendedor, meia palavra basta. O que seria do Brasil sem as imitações de Lula e seus amigos? O povo se diverte para se esquecer de seus problemas pessoais, mas lembra das peripécias cometidas por aqueles que elegeu.
O filme de Sabine possui uma inevitável autopromoção, mas o incômodo reside na imagem criada, de ela ser a única batalhadora pela democracia em seu país, diante de uma porção de vozes ansiosas para falar, mas receosas diante as conseqüências. A cena de milhares de pessoas assistindo seu show, ao vivo ou em telões, exprime bem esse ponto de vista.
Mesmo assim, “Viva Zapatero!” é uma obra contundente e, apesar de produzido em 2005, permanece bem atual. A Itália, acima de qualquer riso, deseja apenas uma coisa: a democracia. Contudo, Berlusconi se reelegeu, recentemente. Será que este documentário terá uma continuação? A ver.
Cotação para este filme:
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