UMA CHAMADA PERDIDA
Foto: Divulgação

Atualmente, grande parte da população possui um celular. Quem não tem, é considerado um excluído. Quer coisa mais chata do que não poder ser encontrado? Tendo essa possibilidade, o proprietário do aparelho possui alguma chance de morrer. É o que acontece, pelo menos, em “Uma Chamada Perdida”, remake americano do filme de Takashi Miike.
Logo no início, acontece um incêndio em um casarão, com uma menina dentro. Ela é salva. Em seguida, o filme salta para a trama de mortes. Uma moça, à beira de um lago, em seu jardim, recebe uma ligação, que não é atendida. Deixam uma mensagem em sua caixa postal, que é ouvida na seqüência. Ouve-se a voz da própria pessoa, uns dias no futuro. Quando a data se torna presente, a pessoa morre de uma causa bizarra.
“Uma Chamada Perdida” parece uma mistura de “Premonição” com “O Chamado”, passando longe dos pontos positivos desses dois longas. O roteiro é fraquíssimo, concentrando-se, inicialmente, apenas nas mortes. Uma mais risível que a outra. No segundo ato, desenha-se uma protagonista. Ela é Beth Raymond (Sossamon, de “As Regras da Atração”). Seus amigos estão morrendo. Sua morte parece próxima, já que está na lista de contatos, no celular dos defuntos.
Beth é a única que procura ajuda da polícia, afinal, uma onda de óbitos sem explicações está acontecendo. O único que dá bola para o caso é Jack Andrews (Burns, com a habitual cara de paisagem), que perdeu a irmã num caso semelhante. Os dois, e somente eles, se unem para desvendar este caso, provavelmente sobrenatural. Chega-se a uma conclusão insatisfatória, com direito a uma ponta para continuação.
Mas as pontas soltas nesse aqui são muitas. As regras em torno das mortes são facilmente quebradas. Logo, ninguém mais perde a vida ao falar num celular. Até um gato é incluído na conta, como se tivesse ouvido seus miados num aparelho. O grupo de jovens retratados é totalmente descartável. Tenta-se humanizá-los, a exemplo de “Cloverfield – Monstro”, mas o público não se importa com eles. O sentimento de medo é o mais importante, mas ele não é visível como o monstro do tamanho de um prédio. Nisso, abusa-se de sustos totalmente constrangedores, no sentido como são apresentados.
Os clichês estão presentes e a maioria não funciona. Dá-lhe crianças sinistras, com cara de poucos amigos, e visões de figuras bizarras, nas ruas, por pessoas que estão prestes a serem mortas. Estas tentam fugir a todo custo, desligando celular ou olhando para todos os lados, mas nunca são tão espertas quando a protagonista. Mesmo assim, o abstrato assassino em forma de maldição está à frente de todas suas vítimas.
Quando determinada pessoa recebe a ligação, os ponteiros do relógio começam a rodar. Infelizmente, o insuportável didatismo toma conta da tela, com o personagem falando, insistentemente, o quanto falta para morrer. O espectador nunca tem vontade de lembrar o horário marcado pelo celular. Contudo, este escriba notou quando foi fixado o momento de uma das mortes e, pasmem: ela se atrasou. Talvez o diretor Eric Valette (quem?) tenha subestimado seu infeliz público. Mas o furo (mais um) estava ali.
Só faltou uma morte por atropelamento, com o veículo passando a uma velocidade inacreditável. Mas, não, “Uma Chamada Perdida” dispensou o clichê. Que pena, mais esse e ele completava sua ruindade. De qualquer forma, é um filme perdido, com todos os trocadilhos a que tem direito.
Cotação para este filme:
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