PECADOS INOCENTES
Não é de hoje que temas espinhosos relegam filmes e diretores ao chamado “circuito alternativo”. Os caubóis homossexuais de “O Segredo de Brokeback Mountain” ou a velhinha aborteira de “O Segredo de Vera Drake” são a ponta do iceberg nessa abordagem. Realizadores como Todd Solondz ou John Cameron Mitchell dificilmente têm aceitação de um público maior.
Eis que surge “Pecados Inocentes”, de Tom Kailin (“Swoon – Colapso do Desejo”). O tema é o incesto. A qualidade do filme nunca está ligada ao juízo de valor que o público dá ao assunto. O problema é que aqui, o deslocamento se dá desde o início, quando tudo está em sua normalidade.
Os Baekeland são uma família de classe alta de Nova York, instáveis por definição. A jornada começa no final da década de 1940, quando Barbara (Moore) concebe Tony. Sua relação com o marido não é das melhores. Há um tom de provocação no ar, mas o motivo dessa troca de farpas não é revelado.
O tempo passa e, inevitavelmente, Brooks (Dillane), o patriarca, abandona sua esposa, que fica com o filho, já adolescente. Mesmo após a separação, a quarentona mãe não muda o jeito de ser, revelando-se uma autêntica libertina, mesmo quando está ao lado de familiares. Viajando pelos mais belos cartões postais do planeta, Tony (Eddie Redmayne, daqui pra frente) descobre o diversificado mundo do sexo através de garotas de biquíni e rapazes musculosos. Inicia-se o samba do crioulo doido, até ele chegar ao seguro colo da mãe, que já não quer apenas carícias inocentes.
Baseado em uma história real, “Savage Grace” se confunde demais para chegar num resultado já esperado. O caminho para isso é tornar seus personagens arrogantes, destemidos e incompreensíveis. Nunca é bom colocar a culpa em alguém, mas a maior responsável por tornar Tony um doente (pois é assim que ele é tratado), sem dúvida, é sua querida mãe.
O que se vê durante todo o filme, a partir do amadurecimento sexual do garoto, é uma sucessão de troca de casais, como se isso fosse obrigatório e atraente para seu desfecho. Ele não choca por mostrar mãe e filho na mesma cama (inclua um terceiro indivíduo, de fora da família), mas constrange pelo ridículo da situação.
Ultimamente, Julianne Moore tem escolhido péssimos projetos, mas neste, ela escorrega por méritos próprios, exagerando em seu personagem, tornando-o uma caricatura desde o início. O garoto Eddie Redmayne (“O Bom Pastor”) é fraco e pouco expressivo; não precisa de muita força para criticá-lo.
O cinema-polêmica é fácil de se fazer, mas a boa execução de películas como esse “Pecados Inocentes” depende de um roteiro mais sóbrio, sem excessos dramáticos ou miscelânea de sentidos. Um impopular Todd Solondz tiraria isso de letra.
Foto: Divulgação

Cotação para este filme:
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