SHINE A LIGHT

Sem dinheiro para pagar um caríssimo ingresso de música estrangeira no Brasil, o espectador poderá economizar uns trocados dentro do cinema. O documentário “Shine a Light” une filme e show para prestigiar os quase cinqüentenários Rolling Stones, que se apresentaram no Beacon Theatre, em Nova York, sob a direção do também dinossauro Martin Scorsese.
O filme começa com rápidas cenas de bastidores. Martin Scorsese e Mick Jagger discutem “sadiamente” suas diferenças. O primeiro, pelo setlist da banda, que sairá apenas na última hora. O outro, pela forte luz no palco, que, se ficar muito sobre ele, pode queimá-lo.
Para recepcionar os Stones, o ex-presidente Bill Clinton sobre ao palco, junto com a família. Hillary, inclusive, está lá. Apesar de aparecer quase em segundo plano, é um belo chamariz para sua campanha política.
O show começa. Jagger canta, dança e atua. É um artista completo. Mas não está sozinho, com seu parceiro Keith Richards, que dera inspiração ao personagem Jack Sparrow, de “Piratas do Caribe”, Charlie Watts e Ron Wood. Sabe-se perfeitamente que os dois tiveram problemas no passado. Confrontaram seus egos, mas hoje parecem estar em perfeita sintonia. Celebram o sucesso contínuo, que não esperavam, em começo de carreira. Scorsese inclui pequenos vídeos entre as canções, antigos, mostrando a longevidade da banda. Nada de biografia. São apenas recortes.
As canções se enquadram em diversos gêneros. Há espaço até para Richards, que assume sozinho o vocal, em uma parte do show. A seguir, os Stones se comparam ao Oscar, tentando atrair públicos mais jovens com artistas da atualidade. São eles: a loiríssima Christina Aguilera e o roqueiro Jack White, dos White Stripes e Raconteurs. Nenhum dos dois ofuscam a banda, mas também não surpreendem. Contudo, quando Buddy Guy, um dos maiores representantes vivos do blues de Chicago, sobe ao palco, o convidado pode ser chamado realmente de especial. Especialíssimo. O diretor de “Taxi Driver” capta cada reação do convidado com os anfitriões, em uma intimidade de olhares e expressões que só a câmera de cinema poderia registrar.
Dentro de uma sala com imagem e som de última geração, o espectador terá a sensação mais realista. Ele se sentirá tanto no meio da platéia, que dá pra ouvir as pessoas ao lado, como em cima do palco. As câmeras transitam no meio do público e o trabalho não parece ser dos mais fáceis, mas o resultado é bastante satisfatório.
Os Rolling Stones foram uma alternativa mais rebelde aos Beatles, que estouraram, na época. Contudo, a banda de Mick Jagger continua sua caminhada, apesar dos problemas enfrentados por todo esse tempo. “Shine a Light” quer manter seus fãs e angariar alguns novos. Consegue facilmente. O show deve, e irá, continuar.
Cotação para este filme:
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