ATOS QUE DESAFIAM A MORTE
Foto: Divulgação/Warner
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Harry Houdini (Pearce) é um ilusionista, no começo do século XX, que viaja o mundo fazendo apresentação de seus números e procurando uma pessoa em especial: aquela com poderes paranormais que trará o espírito de sua mãe ao mundo dos vivos, para poder conversar com ele. Dará 10 mil dólares a quem fizer isso. Passando por vários países, só encontra charlatães. Até que, na capital escocesa, Edimburgo, conhece duas mulheres, uma mãe e uma filha, que fazem shows de vidência para uma platéia de crédulos.
“Atos que Desafiam a Morte” é de muitas falsas verdades. Pessoas se dizem mágicas e com superpoderes, mas, no fundo, são comuns, com simples truques sob a manga. Mary (Zeta-Jones) e sua filha Benji (Ronan) surrupiam objetos pessoais de espectadores, no dia da apresentação, para pesquisar sobre eles e depois darem uma resposta mirabolante quando estão no palco. Em um dos números, Houdini toma um soco na barriga e não sente nada. Ele possui uma chapa metálica, oculta sob a roupa, que amortece os golpes. Sua vida não é mágica, como todos pensam, mas de resistência, como quando tem que sair de um tanque cheio de água. O detalhe é que ele fica amarrado, de ponta-cabeça.
A direção de Gillian Armstrong (“Charlotte Gray – Paixão Sem Fronteiras”) é discreta e suficiente. Contudo, o problema está no roteiro de Tony Grisoni e Brian Ward, que se dilui numa história de amor entre o viajante e a oportunista. Houdini sabe que a moça não é o que alega, mas não consegue se afastar dela. É uma paixão que só ela assume. A dúvida persiste até o final, quando todos se apresentarão frente à imprensa, para que Mary possa psicografar as palavras do ente morto.
Na história há ainda outros dois personagens relevantes, que se afastam de seus donos quando estes se unem. São Benji e o Sr. Sugarman (Spall), empresário de Houdini. Este fica cada vez mais preocupado quando seu investimento se afasta das apresentações e se entrega a obsessão. Benji, por sua vez, é a narradora da história. Mais um filme sob os olhos de Saiorse Ronan. A menina é tão fã de Houdini quanto Robert Ford é de Jesse James. Quando o sonho de conhecê-lo é realizado, a admiração é diminuída quando sua mãe se entrega ao ídolo, deixando de se preocupar com o sustento delas. Esta se torna tão deslumbrada como era sua filha, no início.
Houdini é um personagem interessante, mas foge dos dedos da diretora, que prefere dividir as atenções do personagem com uma insípida Catherine Zeta-Jones. A figura do ilusionista só é notável nas pontas do filme. No miolo, mãe e filha correm atrás de um segredo que não é tão interessante assim.
“Atos Que Desafiam a Morte” possui um título que não faz jus a seu filme. Causa pouca comoção e não desenvolve bem o personagem que dizem ser o principal. É uma mágica que não é mágica. Um mero truque, feito por impostores.
Cotação para este filme:
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