PONTO DE VISTA
Foto: Divulgação/Sony Pictures
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Em filmes de múltiplas perspectivas, sempre há uma intenção maior. A cada personagem e seu olhar, um novo elemento é revelado. É o que acontece em “Ponto de Vista”, que retrata o atentado ao presidente dos Estados Unidos (Hurt), na Espanha, em uma cúpula para discutir justamente esse tipo de problema.
Tem para todo mundo, de seguranças a terroristas, passando pelo presidente, obviamente. Fracos, deslumbrados e espertos são mostrados. Na maioria das vezes, personagens com uma dessas características se vêem do lado oposto, no final do filme. Há uma série de figuras que adquirem alguma importância, ao atraírem a atenção da câmera, mas são superestimadas. Thomas Barnes (Quaid), por exemplo, um dos seguranças e amigos do presidente, já tomou um tiro pelo chefe. Tirou férias por tempo indeterminado. Volta justamente para essa missão, enfrenta vários contratempos, mas seu histórico não serve para grandes coisas.
A cada troca de personagem, o filme faz questão de se rebobinar e iniciar o relógio segundos antes do meio-dia, que é o ponto de partida da trama. Tudo irritantemente didático, até. Quer dizer, “Ponto de Vista” não é nenhum filme artístico, mas subestima a inteligência de seu espectador. É cansativo.
Um dos pilares da trama está em uma garotinha espanhola. Depois que uma bomba explode em praça pública, ela se perde da mãe (não se sabe como) e sai andando em ziguezague, por aí, sem a mínima noção de perigo ou direção. Só atende as necessidades do roteiro. Antes disso, ela encontra Howard Lewis (Whitake), um turista americano que havia ganhado sua confiança anteriormente, ao esbarrar em seu sorvete. Este personagem havia brigado com a mulher e resolveu descansar na Europa. Após o incidente, se torna uma mistura de protetor, da menina, policial e cinegrafista. Sua câmera caseira acompanha um possível suspeito, que ele havia filmado anteriormente, em uma atitude suspeita.
As coincidências são a grande força-motor de “Ponto de Vista”. Em certo momento, diversos personagens convergem para um lugar em comum, na cidade de Salamanca, perto de Madri. Mesmo aqueles que nem deveriam estar ali, acabando chegando por alguma força eletromagnética. Inverossímil.
A primeira parte do filme de Pete Travis, um novato diretor de cinema, se concentra em descobrir a identidade dos terroristas, que são um tanto estabanados. A segunda se resume a caçar um deles, em uma perseguição automobilística competente, que lembra muito as da trilogia de Jason Bourne.
No meio da correria, entre carros e seres humanos, o espectador reconhecerá muitas caras. Nomes como Zoe Saldana e Sigourney Weaver apenas exercem papéis comuns, como a policial ou a funcionária de um programa de televisão, com pouca importância à trama. Entre os mais efetivos, Eduardo Noriega, conhecido do cinema espanhol, se move de maneira bastante suspeita, mas carrega falsas expectativas. É subutilizado. O personagem de Matthew Fox, por sua vez, tem alguma importância, mas sabota toda ela, talvez pelo roteiro ou por sua fraca atuação.
“Ponto de Vista” começa com uma história para cada personagem, mas depois vai se diluindo. Logo, são dois, três personagens na próxima rebobinada. As regras são jogadas para cima. São personagens demais e, a maioria, não consegue segurar alguns minutos como temporário protagonista. E aí que Travis precisa forçar encontros e resoluções para fechar, pelo bem ou mal, seu longa de ação, que entretém de maneira bem insatisfatória.
Cotação para este filme:
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