EM PARIS
Foto: Divulgação/Imovision
Paul (Duris) acabou de brigar com a namorada e, depois de um breve período no campo, volta para a casa dos pais, deprimido. Jonathan (Garrel) é um boa vida, que tem como hobby passear pelas ruas de Paris e dormir com as ex-namoradas que eventualmente encontra. Esses dois personagens de “Em Paris”, bem diferentes um do outro, são irmãos. Essa ligação será importante para enfrentar os problemas a seguir.
Dirigido por Christophe Honoré ("Ma Mère"), o filme usa e abusa de elementos pop para atrair o espectador, mas não deixa de manipulá-los como comunicação aos acontecimentos em volta. Jonathan passa por um cinema e os cartazes de “Últimos Dias” e “Marcas da Violência” estão a seu lado. Reflexo daquilo que Paul ocultamente deseja fazer, embora negue isso a seu pai. O tal ato em si desperta a curiosidade de irmão porra-louca, que o faz para ver como é. Será que esse sentimento é hereditário?
Os dois personagens passam a morar na casa do pai e serem sustentados por ele. Contudo, os jovens não se bicam tão bem com o velho, que possui boas intenções, mas é considerado ultrapassado. A aparição de mulheres não interfere na relação do trio, já que os homens estão sempre a mascarar seus reais sentimentos a elas, sejam verbalmente ou fisicamente (ao fechar a porta para que uma ex-namorada não interfira nessa intimidade, por exemplo).
Honoré homenageia a Nouvelle Vague, fazendo Jonathan dançar alegremente em Paris e desmistificando o amor jovem, que François Truffaut mostrou em “Antoine & Colette”. Mas tem também um estilo próprio. Ele usa o personagem de Garrel para falar diretamente com o público, como o narrador que sabe o que vai acontecer, mas perde essa vidência ao entrar na história, como um coadjuvante.
O fato é que o filme começa bem chatinho, analisando a relação de Paul e sua namorada, num aborrecido vaivém. Quando se torna uma história de irmãos, que se completam por suas diferenças, a coisa melhora.
O sentimento de perda é outro que ronda aquela família, no passado e presente. Por exemplo, a mãe não mora mais com eles, mas faz uma visita no Natal. A película se passa, em grande parte, nesse dia, mostrando a evolução dos personagens principais. Enquanto Paul tenta sair da fossa, sem muito sucesso, Jonathan curte a vida, mas se preocupa com o sangue de seu sangue.
A Paris do título é pouco mostrada, mas tem seu valor. Para Honoré, o que mais importa é a cidade dos interiores de suas casas, cheia de problemas existenciais, amores partidos e natais regados a canjas de galinha. Notável.
(Leia outra crítica sobre este filme)
Cotação para este filme:
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