RAMBO IV
Foto: Divulgação/Flashstar / Lionsgate
Sylvester Stallone é e não é um cara esperto. Aproveitando-se da nostalgia ainda presente em seus fãs das décadas de 1970 e 1980, realizou a volta de um dos boxeadores mais famosos do cinema, em Rocky Balboa. Obteve boa aprovação. Seguindo o curso natural das coisas, também produz, dirige e escreve este Rambo IV que, de desejoso em encerrar a saga de mais um personagem, não tem nada.
Criado pelo escritor David Morrell, John Rambo era um sujeito atormentado pelas torturas na Guerra do Vietnã, na qual participou ativamente, visto em Programado Para Matar, de 1982. Nos filmes seguintes, o que se viu foi a figura que as pessoas mais conhecem, como o homem resolve o conflito de um país, sem precisar de reforços. Assim, tirando a falta de ritmo do personagem, pois, afinal, são vinte anos de molho, a essência continua relativamente a mesma dos dois últimos capítulos.
Em Rambo IV, o protagonista está na Tailândia, vivendo da caça de cobras. Um grupo de missionários norte-americanos aparece, pedindo ajuda para lhe guiarem até o norte, pelo rio. É que ali está Mianmar (antiga Birmânia), cenário de uma enorme e violenta guerra civil, quase um genocídio, repleto de vítimas pedindo ajuda. Descomprometido, o parrudo ex-boina verde solta um “fuck the world”, mas é logo convencido pela doce face de uma mulher, Sarah (Benz), uma das integrantes do grupo.
No caminho para o inferno, o grupo de missionários, mais Rambo, enfrentam contratempos que antecedem o pior. Já na aldeia Klaw Kbe, os samaritanos são surpreendidos pelo ataque dos cruéis soldados locais. O personagem principal, que já tinha voltado pra casa, tem que voltar, com a ajuda de arrogantes mercenários, para salvar os agora prisioneiros.
A intenção principal do filme, em relação ao personagem-título, é a de ele voltar ao batente, reconhecendo ser esta a sua sina. Sarah o convence, muito facilmente, a resgatar o passado distante. Só não sabia em que consistia ele. John volta às origens, em todos os sentidos, com uma violência assustadora.
Rambo IV é o que contém mais carnificina da quadrilogia. São membros decepados e crianças assassinadas a rodo. O nível gráfico é alto, agradando fãs, em seu clímax. O personagem lava a alma, ao matar os inimigos, em uma barulheira ensurdecedora, com vilões virando carne-moída.
O filme entrega aquilo que se espera dele, só que tardiamente. Antes disso, as seqüências consistem em uma enrolação sem igual, com coadjuvantes nada interessantes, que ofuscam freqüentemente o protagonista. Os verdadeiros antagonistas, por sua vez, são de tudo: pedófilos, estupradores, assassinos, sádicos, etc. Essa estereotipação acaba com as chances de situar o público na história daquele país, que é mais cenário para ação descerebrada do que qualquer outra coisa. O excesso de violência anestesia, o que anula totalmente a crítica à matança.
Sylvester Stallone está velho, o que impossibilita dedicação plena a um personagem tão físico como Rambo. O máximo que consegue fazer, para compensar o apagamento dele em grande parte da película, é colocar-se atrás de uma metralhadora, matando qualquer um que se mexe, por longos minutos.
Com frases de efeito e cenas inverossímeis (a bomba atômica caseira que o diga), o que não são novidades, a cine-série Rambo se estende demais, em uma época que figuras como a do “exército de um homem só” não fazem mais sucesso. A tendência agora é a de heróis com menos armas e mais punhos. Saem Scwarzeneggers e entram Jasons Bournes. Um cenário onde os velhos não têm vez. Azar de Stallone, com seu filme de roteiro e direção medíocres.
Cotação para este filme:
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