O ORFANATO
Foto: Divulgação/Califórnia
O temor ao não-convencional e desconhecido pode trazer seqüelas indesejáveis. É um dos assuntos tratados pelo espano-mexicano “O Orfanato”, que investiga as assombrações em um casarão, antigo orfanato de crianças com necessidades especiais.
Décadas se passam e Laura (Rueda), antiga interna da instituição, volta ao imóvel, já desocupado, para morar com o marido Carlos (Cayo) e filho Simón (Príncep). Este menino de poucos anos, adotado, precisa de cuidados constantes. É portador do vírus HIV. Faz-se todo um suspense em torno da doença, mas não se tira proveito dessa revelação. O importante é que ele tome os remédios regularmente.
Os pais são protetores demais para perceber o que realmente passa pela cabeça o garoto. Simón diz que arrumou amigos imaginários. Suas condições – a doença e o fato de não conhecer ninguém em sua nova moradia – fazem com que essa saída seja perfeitamente aceitável. Contudo, o tempo passa e ele continua com essa mania, enquanto acontecimentos estranhos se dão. Há indícios de a casa ser mal assombrada e o garoto ser amigo desses vultos, justamente os ex-colegas de Laura, preservados como crianças. Em uma festa de socialização, repleta de crianças, a mãe briga com o filho, que é um bocado desdenhoso. Pouco depois, ele some.
“O Orfanato” percorre todos os caminhos naturais para encontrar o garoto. Sem sucesso, apela para o esperado campo sobrenatural, tendo uma crescente aceitação pelos personagens, sendo Laura a maior crente. De médiuns a personagens antes apresentados (a misteriosa idosa, por exemplo, com ocultas intenções), a trama segue por um caminho analítico e cada vez mais revelador.
Quanto mais o público penetra no universo do longa, maiores são os seus temores, até se anularem por completo, quando o oculto sai da sombra. Laura transita entre os dois mundos, enquanto Carlos prefere não crer para não ver.
O problema está na obtenção de algumas sensações; sustos que vêm através de cenas nada criativas e merecedoras. A cena que mostra um atropelamento, vista em filmes do naipe de “Premonição”, é um exemplo. Há furos também, que desprivilegiam a criança deformada da história (por que os outros fedelhos, também mortos, não se encontram na mesma situação, dadas às circunstâncias?), entre outros.
A grande questão de “O Orfanato”, em teoria, é fácil de matar. Não foi ocultada pela montagem ou roteiro. A resposta está exposta e é tão simples, como toda a narrativa. Às vezes, as coisas estão bem na frente, mas a vontade de enxergá-las não é o suficiente. O longa dirigido por Juan Antonio Bayona e produzido por Guillermo Del Toro tem seus altos e baixos, mas é o desconhecido que maquina tudo. Se as pessoas fossem mais corajosas, esse filme pouco faria sentido.
(Leia outra crítica para este filme)
Cotação para este filme:
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